08 de julho de 2026
Nacional

Mantega prevê crescimento ‘sem choques’

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou ontem, em evento com empresários do setor de petróleo organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que o Brasil viverá a partir do próximo ano um crescimento mais acelerado e sustentado, em torno de 5% e 6%.

De acordo com Mantega, o comportamento da economia em 2006 está dado, embora não se possa afirmar que vá atingir uma expansão de 4%. “No segundo semestre a economia está aquecida, crescendo a mais de 4%. Não sei qual vai ser o total, mas o importante é que 2006 encerra uma fase de crescimento moderado e na minha opinião começa a fase de crescimento acelerado no Brasil”, afirmou.

Segundo o ministro, os anos 90 se caracterizaram como um período de crescimento incipiente, com a economia brasileira avançando em média de 0 a 2,5%. Entre 2000 até 2006, houve uma fase de crescimento moderado de 2% a 4%. “De 2007 em diante o Brasil finalmente possa ingressar num período de crescimento acelerado”, afirmou.

Mantega afirmou que a taxa de juros em queda será uma tônica num eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. “A taxa está caindo e continuará caindo. E, com isso, o crescimento será maior. Só com isso posso dizer que meio caminho está andando para um crescimento maior.”

Para Mantega, o Brasil poderá ter um crescimento sustentado de longo prazo. “Se tiver isso, ao longo de dez, 15 anos, de fato o Brasil poderá fazer parte dos BRICs (Brasil, Índia, China e Rússia), será um dos quatro países que terá os melhores desempenhos da economia mundial e, ao cabo de 20 e 25 anos, poderá ser uma das quatro ou cinco maiores economias.”

“Sem traumas”

O ministro da Fazenda também afirmou ontem que é possível chegar a um déficit nominal zero (receitas menos despesas incluindo os gastos com juros) sem choques fiscais.

Segundo Mantega, o choque gera “inconvenientes” e “traumas” à economia, como a imobilização de investimentos e corte de gastos sociais, e afirmou que déficit zero pode ser obtido com a combinação da manutenção do superávit primário em 4,25% do PIB, um crescimento econômico em torno de 5%, a continuidade de redução da taxa de juros e o controle dos gastos públicos.

“Sou contrário a políticas de choques. Não sei se tem alguém favorável, mas de vez em quando aparece alguém dizendo “vou fazer um choque fiscal’. Se falou por aí, vamos fazer um corte de gastos públicos de 3% do PIB, isso foi dito, não vou mencionar porque são meus colegas da FGV. Eu acho que a virtude de uma política fiscal adequada é conseguir combinar esses elementos”, afirmou. E continuou: “Acho que a virtude está em conseguir conciliar uma responsabilidade fiscal, um nível de superávit primário e o nosso problema é o gasto financeiro. Se nós tivéssemos um gasto financeiro inferior a esse que estamos executando nós caminhamos para um déficit nominal zero”.

Mantega defendeu um redutor de gastos correntes de 0,1 a 0,2 ponto percentual do PIB por ano, que pode ser implementado já no ano que vem em âmbito administrativo. Ele disse considerar que a taxa de juros real ideal para a economia brasileira está situada em torno de 5% ao ano, mas preferiu não dar prazos.