08 de julho de 2026
Nacional

Marceneiro mantém duas reféns em SP

Por Tharsila Prates e Livia Sampaio | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O marceneiro Gilberto Gomes de Lima, 42 anos, mantinha, das 23h30 de quinta-feira até as 19h30 de ontem, duas mulheres reféns - a mulher dele, Gilvanete da Silva Lima, 37 anos, e a suposta amante, Andreia Pereira Santana, 30 anos, que estaria grávida de Lima, em sua casa no bairro de Cidade Tiradentes (zona leste de SP).

Segundo a polícia, o acusado não fez exigências. Ele só começou a aceitar a idéia de se render com a chegada de sua mãe ao local.

Lima, armado com um revólver calibre 38, se trancou com as vítimas num cômodo sem janelas, de nove metros quadrados, onde ele mora com a mulher e guarda os móveis que revende. A água e a luz do cômodo foram cortadas desde o início da negociação - às 3h30 de ontem. A polícia tentava vencer Lima pelo cansaço. A estratégia, no entanto, não surtiu efeito até a noite. “Disse que só sai morto e com as duas mulheres mortas”, informou o aspirante a tenente, Aládio Palmieri, do 28.º Batalhão da Polícia Militar (PM), em Cidade Tiradentes. Ele não soube informar por que o marceneiro mantinha as reféns.

A PM chegou ao local por volta da 1h30, acionada por vizinhos e pelo marido de Andreia. Ele havia ido na casa do acusado atrás da mulher, mas Lima se negou a abrir a porta. A essa hora, as vítimas já eram reféns do marceneiro. Com a chegada dos policiais, o acusado disparou quatro tiros contra um grupo de amigos de Andreia, que estava em frente à casa, mas ninguém se feriu. O marido dela, identificado como Edson, não quis comentar o caso.

Negociação

Uma equipe especializada do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM ficou responsável por conduzir, por telefone, as negociações, sem resultado até a noite de ontem. Um filho adolescente e quatro irmãos de Lima tentavam fazer com que ele se entregasse.

O filho disse à polícia que o pai tinha muita munição, mas não precisou a quantidade. “O indivíduo mantém o dedo no gatilho e tempo todo e, às vezes, cochila”, disse o PM Palmieri. Provavelmente por causa disso, por volta das 13h30, Lima disparou acidentalmente, segundo a polícia, mas ninguém se feriu.

Os policiais disseram que as vítimas estavam nervosas, mas aparentemente bem. Durante à tarde, o marceneiro cozinhou bifes para as reféns. Ele também teria tomado uísque e cerveja.

A operação mobilizou cerca de 60 homens, entre bombeiros e policiais civis e militares. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também dava apoio à ocorrência. Uma retroescavadeira foi posicionada nas proximidades para ser usada em caso de invasão da polícia.