Buenos Aires – Assim como no Brasil, domingo também haverá eleições na Argentina. Na Província de Misiones, onde fica o lado argentino das Cataratas do Iguaçu, a Igreja Católica e o presidente Néstor Kirchner se enfrentam em uma votação que terá impacto em todo o país.
De um lado, o bispo Joaquín Piña, amparado pela estrutura da Igreja e apoiado por todos os opositores do presidente Néstor Kirchner - dos socialistas ao ex-ministro Roberto Lavagna. De outro, o governador Carlos Rovira, que busca, com apoio total da Casa Rosada, ter direito à reeleição indefinida, sem nenhum limite de mandatos sucessivos.
Os dois encabeçam as listas para a escolha dos parlamentares que reformarão a Constituição de Misiones, decidindo sobre o tema da reeleição. Kirchner defende que todos os governadores possam ser reeleitos ilimitadamente. Misiones será a primeira Província a decidir isso.
Segundo a oposição, houve massiva falsificação de documentos e paraguaios estão sendo pagos para votar. Os opositores, que prometem denúncia à Organização de Estados Americanos (OEA), também reclamam que o governo distribuiu bicicletas e até dentaduras.
Nesta semana, uma paróquia de uma cidade de Misiones foi destruída em um incêndio - o padre, crítico do governador, disse que houve sabotagem. Assim que pesquisas mostraram o crescimento da campanha do bispo, Alicia Kirchner, irmã do presidente e ministra do Desenvolvimento Social, desembarcou em Misiones.
Alicia conduziu uma grande distribuição de comida, em sacolas com propaganda eleitoral de Rovira. Os policiais - insatisfeitos com suas negociações salariais e por isso em grande maioria contrários a Rovira - foram proibidos de votar em decisão inédita desde a redemocratização do país.