Não existem receitas prontas para o sucesso das relações afetivas, mas o humor se destaca como um dos principais ingredientes para seduzir e temperar os relacionamentos. Pelo menos no caso das mulheres, que segundo os resultados de uma pesquisa feita no Canadá (leia mais ao lado) admiram e se sentem atraídas por homens bem-humorados, otimistas, sorridentes e que tomam a iniciativa de fazer brincadeiras para descontrair o ambiente.
Estas características se ressaltam, por exemplo, no perfil do cirurgião buco-maxilo-facial Emerson Zagatto Domingues, 34 anos. Foi esse conjunto que encantou sua esposa, a cirurgiã dentista Fabianne Lopes Simioli, 33 anos. Os dois se conheceram há mais de dez anos, na faculdade, conta ela. “Nós nos conhecíamos apenas de vista. O amigo dele paquerava uma amiga minha e sempre estávamos juntos, em turma. Ele brincava comigo, tirava sarro do meu dente. Era divertido”, diz.
Fabianne revela que o humor, ou melhor, o bom humor de Emerson, foi ponto positivo na hora da conquista. “Isto chamou minha atenção, talvez se ele não fosse bem-humorado, seria difícil nos aproximarmos.” Juntos há 11 anos, o casal aponta que tal característica ajuda na convivência diária.
Segundo Fabianne, Emerson acorda sorrindo e dificilmente fica zangado. “Quando ela fazia especialização, morava em uma república e havia um rapaz colombiano que colocava seu relógio para despertar cinco minutos antes do despertador do Emerson só para ver ele acordar rindo”, lembra.
Segundo a psicóloga e terapeuta sexual Maria Lúcia Biem, a estabilidade do humor solidifica a união conjugal. “É difícil conviver com pessoas que entram em casa mal-humoradas, o ambiente fica pesado. Já as pessoas de bem com a vida deixam o clima mais leve, descontraído e harmônico”, aponta.
Além disto, observa ela, o bom humor contribui para melhorar o desempenho cerebral do indivíduo e ajuda a aliviar o estresse e as tensões do dia-a-dia. “Quando uma pessoa chega em casa cansada e o outro a recebe com um sorriso, é um colírio para os olhos”, reforça.
O bom humor também faz parte do cotidiano do cabeleireiro Eduardo de Oliveira, 38 anos, casado com Cinthia Sganzella, 26 anos, desde 2004. Os dois se conheceram no ambiente profissional e, a exemplo de Emerson e Fabianne, o alto astral fez muita diferença na hora da conquista.
Cinthia conta que o humor do esposo a seduziu. “Conheci ele em público, no salão de beleza, que é um ambiente completamente descontraído. Ele é extrovertido, sempre cumprimenta, conversa e até brinca com as pessoas, diferente de mim, que sou tímida.”
Eduardo concorda, mas ressalta que, apesar de ser espontâneo e estar sempre de bem com a vida, não se considera uma pessoa engraçada. “O dia para mim é alegre e gosto de conversar com as pessoas. Quando estou na fila do banco, falo com quem está na minha frente, atrás ou ao meu lado, mas não faço piada de tudo”, diz.
Bom humor não deve ser confundido com falta de seriedade, afirma Maria Lúcia Biem, mas sim, ligado ao bom senso. “Existem pessoas que estão sempre em um estado do ‘eu’ criança e não conseguem levar nada a sério. Aí se tornam inconvenientes porque fazem piada em horas inadequadas, por exemplo”, diz.
A psicóloga explica que pessoa bem-humorada não é aquela que brinca o tempo todo, mas tem sempre um sorriso, uma colocação positiva e não torna um problema maior do que ele é.
Quando encontra uma dificuldade, seja nos setores profissional, familiar ou afetivo, Emerson, por exemplo, busca amenizá-la, assumindo uma postura otimista frente à situação, observa Fabianne. “Ele usa o bom humor para abrandar e tentar resolver problema. Muitas vezes, há pessoas que vivem brincando e fazendo piadas, mas isto pode ser só superficial ou exterior porque podem fazer graça para esquecer as dificuldades”, comenta.
O bom humor é uma herança familiar, conta Emerson. “Meu pai era assim e desde pequeno gosto de ser bem-humorado. Mas tudo deve ser na medida certa”, ressalta.
____________________
Elas admiram os extrovertidos; eles, as mais discretas
O bom humor é uma grande arma de sedução. Homens e mulheres, no entanto, têm expectativas diferentes em relação ao humor do parceiro. Enquanto elas admiram e acham os companheiros espirituosos mais interessantes, eles preferem namoradas ou esposas mais discretas e que não “chamem tanta atenção”, aponta a psicóloga e terapeuta sexual Maria Lúcia Biem.
Segundo a especialista, as mulheres associam o bom humor masculino à inteligência e criatividade. “Ninguém gosta de pessoas rabugentas. Para elas, os parceiros ‘de bem com a vida’ são agradáveis porque as fazem sentir à vontade. Os sisudos colocam um certo bloqueio no relacionamento”, diz.
Os homens também admiram o bom humor feminino, mas, diferentemente delas, preferem que isto se restrinja ao perfil das amigas e não de suas companheiras. Isto se deve à própria questão histórica e pode trazer influências da cultura machista, explica Maria Lúcia.
Segundo ela, o homem não gosta que sua parceira seja o centro das atenções porque isso representa uma ameaça. “Os outros podem começar a prestar atenção nela e por isto eles preferem as mais discretas”, observa.
Pesquisa realizada pelo psicólogo Eric Bressler, da Universidade McMaster, no Canadá, com quase 130 homens e mulheres na faixa etária dos 17 aos 25 anos, confirma este contexto. De acordo com os resultados, os entrevistados do sexo masculino adoram que suas parceiras riam de suas brincadeiras, mas não se sentem atraídos por mulheres que fazem piadas.
Para Maria Lúcia, muitas vezes os homens se sentem inseguros diante de mulheres que chamam a atenção porque isto por interferir na questão de dominação e controle, que desde a antigüidade faz parte do universo masculino.
“Hoje as mulheres mais extrovertidas demonstram também maior independência e isto pode assustar os homens. Muitos comportamentos estão mudando, mas estes traços masculinos e femininos ainda são fortes”, aponta.
A questão da dominação masculina também pode estar relacionada ao processo de seleção das espécies, defendida pelo naturalista inglês Charles Darwin. Segundo sua teoria, assim como os animais, os seres humanos escolhem seus parceiros instintivamente entre as pessoas que lhes garantam proles saudáveis, preservando a perpetuação das espécies. E como elas aprovam o bom humor masculino, eles o utilizam como arma de sedução.