09 de julho de 2026
Nacional

Sérgio Cabral vence com 68% dos votos no Rio

Por Raphael Gomide, Sergio Torres e Talita Figueiredo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O candidato do PMDB, senador Sérgio Cabral, foi eleito governador do Estado do Rio ontem com 68% dos votos válidos (5.128.881), batendo a candidata do PPS, Denise Frossard, que atingiu 32% dos votos válidos (2.413.487).

No primeiro turno, o peemedebista havia obtido 41,42% (3,423 milhão de votos) contra 23,78% (1,965 milhão de votos) da candidata do PPS. Cabral ancorou fortemente no segundo turno sua campanha no apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve no Estado 68% dos votos válidos (5.532.112), contra 32% do tucano Geraldo Alckmin (2.406.398).

O eleito afirmou de manhã que a rede de alianças que montou no segundo turno consolidou a vitória. “As alianças foram fundamentais. Os apoios foram muito importantes (e vieram) de várias correntes partidárias, todas progressistas. Essa sempre foi a marca do Estado do Rio”, disse Cabral. Para ele, o Rio sempre esteve na vanguarda do processo político brasileiro. “Esse campo progressista se uniu e me honrou com seu apoio e nós apoiamos a candidatura progressista do candidato Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou.

O peemedebista votou por volta das 9h30 na Escola Municipal Roma, em Copacabana, na zona sul. Estava acompanhado de três filhos, pais, irmãos e amigos. Também estavam com ele a coordenadora da campanha à reeleição do presidente Lula no Rio, a ex-governadora Benedita da Silva (PT), e o senador eleito, Francisco Dornelles (PP). Cabral não quis adiantar decisões sobre seu secretariado, nem sobre suas prioridades de governo. Benedita da Silva estava com os dois pés enfaixados e tinha grande dificuldades para andar. Ela quebrou três dedos depois de ter os pés pisoteados durante um corpo-a-corpo em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, com Cabral, na última sexta-feira.

Derrota e gafe

A deputada Denise Frossard atribuiu a sua derrota ao fato de Cabral pessoalmente apoiar Lula, mas ter parte do PMDB, comandado regionalmente por Anthony Garotinho, fazendo campanha para Alckmin. “Sérgio Cabral se apropriou dos dois candidatos a presidente da República. Onde Alckmin era forte, ele ia com Alckmin. Onde Lula era forte, ele ia com o candidato Lula. Dessa forma, evidentemente houve uma apropriação dos espaços. Mas tivemos uma vitória política. Nós saímos maiores do que entramos. Desejo que o governador cumpra todas as promessas que fez.”

Frossard, que é deputada federal em final de mandato, evitou falar sobre seu futuro político. “Nossa tese foi muito bem aceita, o que nos leva a insistir numa maneira diferente de fazer política. Esse é o início do trabalho de um grupo, e mostramos que há uma nova maneira de fazer política, com o apoio do prefeito Cesar Maia”. Frossard avaliou que o apoio de Garotinho a Alckmin no Estado do Rio foi “fator decisivo” para a votação do tucano ter sido menor do que a média nacional.

Frossard votou pela manhã no Colégio Santo Agostinho, no Leblon (zona sul). Ela cometeu uma gafe em sua seção eleitoral: ela esqueceu de votar para presidente da República, e teve de retornar à urna eletrônica, após uma mesária chamar sua atenção sobre o esquecimento. Frossard confirmara o voto nela mesma e saiu da cabine de votação para posar para fotos.

Em entrevista, ela justificou dizendo que o esquecimento aconteceu porque ela, além de ter ficado “emocionada” com seu voto, achou que o candidato tucano Geraldo Alckmin, cujo partido a apóia, já havia obtido a vitória no primeiro turno.