Santiago - O ex-presidente chileno Augusto Pinochet teve ontem decretada sua prisão domiciliar por crimes de tortura, assassinato e seqüestros cometidos durante seu regime (1973-1990). “Augusto Pinochet foi preso como um perigo à sociedade pela gravidade das acusações contra ele. Mas, devido à sua idade (90 anos), ele recebeu prisão domiciliar”, disse o juiz Alejandro Solis, que ordenou a detenção.
É a primeira vez que Pinochet é detido por crimes de tortura. Ele já foi preso cinco vezes por abuso de direitos humanos e fraude fiscal, mas libertado em seguida. “Nesse sentido, esta prisão é um marco”, disse Sebastian Brett, da Human Rights Watch em Santiago.
A sentença se refere a um assassinato, 36 desaparecimentos e 23 casos de tortura na prisão clandestina de Villa Grimaldi, em Santiago. Estima-se que 4.500 pessoas tenham passado pela prisão, incluindo a atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, que, porém, não participa do processo.
O advogado de defesa de Pinochet, Pablo Rodríguez, disse que irá apelar da decisão “até a Suprema Corte, se necessário”. Na semana passada, a Justiça chilena começou a investigar um suposto depósito de 9,6 toneladas de ouro realizado por Pinochet em um banco de Hong Kong, estimado em US$ 190 milhões.
O ex-presidente também está sendo investigado por crimes cometidos sob a Operação Colombo contra opositores a seu regime e pela existência de contas secretas milionárias em agências do Riggs Bank nos EUA.