10 de julho de 2026
Cultura

MinC beneficia culturas indígenas

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Comunidades e organizações indígenas da região estão convidadas a participar da oficina gratuita de capacitação que divulgará o Prêmio Culturas Indígenas, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com a Associação Guarani Tenonde Porã, de São Paulo. A atividade será realizada hoje, das 9h às 18h, no Serviço Social do Comércio (Sesc).

São Paulo, Cotia e Bauru foram as três cidades do Estado de São Paulo escolhidas para receber a oficina em função da concentração de aldeias na região. “Soubemos da presença de índios Guarani, Kaigang e Terena na região. Por isso, a oficina em Bauru, onde vamos apresentar o edital e explicar os critérios para inscrição”, afirma o produtor executivo do prêmio Marcelo Manzatti que vai ministrar a oficina.

Os interessados em concorrer ao edital devem se inscrever até o dia 18 de novembro. Todos os projetos passarão por uma comissão organizadora formada por 15 membros, sendo oito indígenas e sete não-indígenas. Para concorrer, as ações devem integrar as seguintes categorias: religião; rituais e festas tradicionais; língua indígena; mitos, histórias; músicas; danças e cantos; alimentação; artesanato; educação, arquitetura tradicional; pinturas corporais, desenhos e grafismos; jogos e brincadeiras; audiovisual e teatro.

De acordo com Manzatti, 80 entidades serão premiadas com R$ 15 mil cada. A previsão é que o resultado saia na primeira quinzena de dezembro. Segundo ainda o produtor, o objetivo do prêmio é fortalecer a cultura indígena e mapear a produção cultural indígena nacional. “Cada aldeia indígena enfrenta uma realidade diferente e um dos objetivos do prêmio é diagnosticar a situação delas em todo o Brasil”, afirma.

Mais informações sobre o regulamento podem ser obtidas pelo site www.cultura.gov.br/premioculturasindigenas, pelo e-mail premio culturaindigenas@uol.com.br ou pelo telefone 0800-7740240.

Prêmio

De acordo com o produtor executivo do prêmio, Marcelo Manzatti, esta é a primeira vez que as culturas indígenas serão beneficiadas por uma ação do Ministério da Cultura (MinC). A iniciativa partiu de um grupo de trabalho para as culturas indígenas instituído pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural no ano passado.

Segundo o Instituto Sócio-Ambiental (ISA), no Brasil, existem cerca de 370 mil índios divididos em 220 povos que falam mais de 180 línguas diferentes. Essa parte da população brasileira reivindica há tempos políticas públicas para a sua produção cultural. A resposta a essas comunidades veio na forma do Prêmio Culturas Indígenas, que conta com o patrocínio da Petrobrás, por meio da Lei Rouanet.

• Serviço

Oficina de capacitação para o Prêmio Culturas Indígenas hoje, das 9h às 18h, na sala de atividades do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3235-1751.

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Homenageado

A idéia dos organizadores é promover o Prêmio Culturas Indígenas anualmente, sempre em homenagem a alguma personalidade indígena. A primeira edição trará como destaque Ângelo Cretã. Liderança Kaigang, natural de Mangueirinha (PR), Ângelo foi o primeiro vereador indígena eleito no Brasil em 1976. Depois de quatro anos, ele foi morto numa emboscada até hoje não esclarecida.

Ângelo foi o primeiro índio a ter um cargo político no Brasil e poderia ter se candidatado a deputado federal, mas preferiu continuar como vereador e ficar próximo de Mangueirinha, Chapecozinho, Nonohai e Rio das Cobras, onde liderava uma mobilização contra os posseiros da região.

Após sua morte, as lideranças indígenas locais se amedrontaram e o processo de demarcação de terras retrocedeu. Atualmente, o filho de Ângelo, Romancil Cretã, é um dos líderes da causa indígena no Sul, especialmente no Paraná.

Da Redação