10 de julho de 2026
Internacional

Aquecimento poderá custar 1% do PIB mundial até 2050

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - Um relatório encomendado pelo governo britânico e divulgado ontem demoliu o último argumento daqueles que negam os efeitos do aquecimento global -o de que custaria mais combatê-lo do que ignorá-lo. Segundo o “Relatório Stern”, comandado por Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, os gastos para estabilizar a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa seriam equivalentes a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2050.

A falta de ação e a manutenção dos atuais padrões de emissão, no entanto, poderiam reduzir o consumo global em aproximadamente 5% do PIB mundial, chegado a até 20% de redução, no pior cenário. “O que nós mostramos é que a magnitude do risco é muito grande e deve ser levada em consideração nos investimentos e no tipo de consumo que são feitos”.

O premiê britânico, Tony Blair, afirmou que o relatório é “crucial’’ por mostrar que as evidências científicas do aquecimento global são “impressionantes e decisivas”.

O relatório precede uma reunião das Nações Unidas sobre o clima, que começa na próxima sexta-feira, em Nairóbi, cujo foco será encontrar um sucessor para o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. “Acordar os elementos-chave para ação internacional deve ser a prioridade de todas as áreas de políticas governamentais”, destaca o relatório.

Para produzir o estudo de 700 páginas - o mais abrangente já feito sobre o impacto econômico do aquecimento global -, Stern e seu time visitaram países que têm papel determinante na questão climática, entre eles o Brasil. Stern destacou a importância de iniciativas como o uso de biocombustíveis - como o álcool -, em que o Brasil é líder.

O aumento da temperatura e o conseqüente aumento do nível do mar, devido à expansão térmica do oceano e ao derretimento de geleiras de terra firme, causariam inundações que obrigariam até 100 milhões a abandonarem a costa.