Duartina - A comunidade da Escola Estadual Benedito Gebara em Duartina (38 quilômetros de Bauru) passou a viver ontem um momento difícil com o furto e queima de diários escolares efetuado por estudantes.
O caso colocou a escola de cabeça para baixo, virou Boletim de Ocorrência, mobilizou o Conselho Tutelar e também o Ministério Público do Estado de São Paulo, representado na cidade pelo promotor de Justiça, responsável pela Curadoria da Infância e Juventude.
Após o término das eleições do segundo turno na Benedito Gebara, por volta das 21h30 do último domingo, 41 diários de classe com a performance escolar de cada aluno foram levados do colégio, junto com aproximadamente 40 chaves. Os responsáveis pelo furto foram três estudantes do Benedito Gebara, que chegaram a queimar cinco diários, que ficaram parcialmente danificados.
A razão foi o medo de repetência, disse ao JC a mãe de um dos menores, um adolescente de 15 anos, aluno da sétima série. A mãe, que também é educadora, estava desnorteada com o envolvimento do filho, a possibilidade de expulsão do garoto e a inexistência de outra escola na cidade onde o estudante dê continuidade aos estudos. Ela preferiu não se identificar.
A vice-diretora da escola, Gizlaine Aparecida Caldeira Maranho, disse que dois deles estão estão perto da reprovação e o outro está em situação melhor. A escola fez o BO, acionou os representantes do Conselho Tutelar e convocou pais e alunos. Maranho disse que, anteontem, os próprios pais levaram os filhos para casa.
O conselho de escola da Benedito Gebara se reuniu ontem para analisar e definir o caso. O colegiado é formado por pais, professores, alunos, funcionários, diretor e coordenador de ensino. Segundo Maranho, o conselho de escola vai definir por duas opções: se os adolescentes ficam na escola ou se serão convidados a se transferir. A segunda é uma clara expulsão. “Pela própria imagem deles (alunos) porque a cidade toda está sabendo. Para o bem deles”, sugere Maranho, evitando falar em expulsão.
No entanto, a Diretora Regional de Ensino, Vera Nilce Jarussi de Sá, descarta a alternativa da expulsão. “Eu não admito em qualquer hipótese a expulsão. Inclusive porque é a única escola da cidade”, adianta Jarussi.
Ela entende que os alunos devem ser punidos, mas a escola tem a obrigação de mostrar-lhes o erro cometido. Até o fechamento desta edição, o conselho de escola ainda estava reunido.
Criminalização
A mãe de um aluno, que participou do crime, ouvida pelo JC, saiu ontem da Delegacia de Polícia de Duartina chorando, bastante abalada. Ela não atenua o erro cometido pelo filho, porém entende que não se pode transformar os três adolescentes em criminosos.
Assim como a mãe, o delegado da cidade, Antônio Augusto de Campos Lima, estranhou a repercussão do caso. Ele explica que a invasão à escola e furto dos diários é um “ato infracional sem violência ou grave ameaça”. “Não provocou o clamor social”, salienta. Ele explica que pais, alunos e representantes da escola vão ser intimados e, ao final do inquérito, o caso será remetido ao promotor de Justiça.
A mãe entende que os adolescentes têm que ser punidos, inclusive com trabalho voluntário. “Queremos que tenham noção do que fizeram. Mas são crianças que têm pais presente,s que os educam e ensinam”.
Ela comenta que o filho teria sido chamado pelos outros dois alunos por medo da repetência. Conforme a mãe, a idéia teria sido arquitetada a partir de um episódio do seriado de uma emissora de televisão. “A gente pede desculpas à sociedade pelos nossos filhos”, lamentou.