Bagdá - O Pentágono estuda uma proposta elaborada por comandantes dos EUA no Iraque para aumentar o número de membros das forças de segurança iraquianas, no primeiro sinal da intenção de reduzir significativamente as tropas de coalizão no país. Segundo a rede de TV CNN, que cita fontes do Pentágono, a proposta pede um “pequeno aumento” no objetivo de treinar e equipar 325 mil soldados e policiais iraquianos.
O aumento pode exigir mais treinadores militares americanos mas, segundo a CNN, a mudança não implicaria no aumento dos soldados americanos no Iraque, que são cerca de 150 mil.
De acordo com fontes do Pentágono, um aumento de cerca de 30 mil soldados iraquianos adicionais seria suficiente. Atualmente, há 310 mil membros das forças de segurança iraquianas treinados e armados - 15 mil abaixo da meta inicial.
O assessor de segurança nacional americano, Stephen Hadley, se reuniu anteontem com o premiê iraquiano, Nouri al Maliki, para discutir a aceleração no treinamento das forças iraquianas e na transferência da responsabilidade pela segurança para o governo iraquiano.
Na semana passada, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse ter solicitado uma revisão das forças destacadas no Iraque e no Afeganistão nos últimos três meses, pois estaria “insatisfeito” com o ritmo do treinamento. Segundo ele, “novas propostas” para os dois países foram oferecidas por comandantes militares e estão sendo estudadas em Washington. Rumsfeld disse ainda que os EUA pretendem aumentar o orçamento para treinar e equipar as forças iraquianas.
Ontem, o premiê iraquiano, Nouri al Maliki, ordenou a retirada do cerco a Sadr City, periferia de Bagdá conhecida por ser um bastião xiita onde vivem cerca de 2,5 milhões de iraquianos. A medida foi anunciada no mesmo dia em que a explosão de um carro-bomba matou três pessoas e feriu outras cinco na região.
Os postos de controle foram montados na semana passada, quando as tropas americanas lançaram uma operação em busca de um soldado desaparecido, invadindo casas em busca de líderes de esquadrões da morte e de milícias xiitas que vivem na região.
O Exército anunciou as mortes de dois soldados em combate anteontem. Com a morte, chegam a 103 os soldados mortos no Iraque em outubro - o maior número desde o início da guerra, em março de 2003. Um total de 2.816 soldados já morreram durante o conflito, que dura mais de três anos.