08 de julho de 2026
Internacional

Coréia do Norte recua e volta a negociar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pyongyang - Depois de explodir sua primeira bomba atômica em 9 de outubro e de sofrer imediatas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) que dificultaram a sobrevivência econômica de seu regime, a Coréia do Norte concordou ontem em retomar negociações multilaterais sobre seu programa nuclear. A informação foi dada em Pequim pelo governo chinês e pelo diplomata americano Christopher Hill, encarregado de questões norte-coreanas no Departamento de Estado.

O recuo de Pyongyang representa uma vitória diplomática para a China, que reagiu de forma bastante dura à nuclearização da península Coreana. Além de votar no Conselho de Segurança contra o ditador Kim Jong-il, os chineses, em iniciativa unilateral, interromperam a venda de petróleo ao pequeno e isolado aliado comunista.

O papel dos chineses no jogo de pressões que dobrou as resistências norte-coreanas foi reconhecido abertamente em Washington pelo próprio presidente George W. Bush. “Estou satisfeito e quero agradecer aos chineses”, disse o americano. O porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, afirmou que “está claro que os norte-coreanos entenderam o recado da China” e das demais partes envolvidas.

Na prática, Pyongyang aceita voltar a participar do chamado Grupo dos Seis (as duas Coréias, Japão, Estados Unidos, China e Rússia), do qual havia se retirado em setembro do ano passado, em resposta às sanções financeiras impostas pelo governo americano.

A medida - congelamento de US$ 26,2 milhões de depósitos norte-coreanos no Banco Delta Ásia, de Macau - foi tomada a partir de informações que os serviços de inteligência americanos que colocavam a Coréia do Norte no centro de uma suposta rede de tráfico de drogas e de produção de cédulas falsas de dólares americanos.

Desde então, Pyongyang condicionava sua volta ao Grupo dos Seis à suspensão das sanções impostas por Washington. Elas permanecem em vigor, segundo Hill, mas podem ser em breve suprimidas, dependendo do andamento das negociações. O regime de Kim Jong-il tampouco foi atendido em sua exigência de retomar as negociações com os EUA no plano bilateral. Washington insistiu no multilateralismo do Grupo dos Seis, situação também conveniente à China.