10 de julho de 2026
Geral

Para Apeoesp, professor tem medo de represália e não denuncia violência

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O ambiente escolar já não é mais considerado seguro para os alunos, tampouco para os professores. As brigas e agressões, como as que ocorreram nesta semana em Bauru, levando dois professores para o hospital, deixaram de ser novidade para fazer parte da rotina. Para a diretora da regional Bauru do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi dos Santos, as ameaças e violência contra a categoria são ainda maior do que o divulgado pelos meios de comunicação. “Os professores têm medo de denunciar à polícia e ao sindicato o que sofrem dentro da escola por ter medo da situação ficar pior ainda”, opina.

Ao apartar uma briga entre alunos, uma professora foi empurrada, caiu, quebrou a cabeça do fêmur e anteontem foi submetida à cirurgia, como o JC noticiou na edição de ontem. Apesar da gravidade do fato, a Apeoesp só ficou sabendo do caso pela mídia. “Dificilmente os professores registram boletim de ocorrência e esta deveria ser a primeira atitude deles”, afirma.

Em um caso similar, acontecido há dois anos, uma professora que também foi apartar uma briga entre alunos teve um osso do rosto quebrado e está em recuperação até hoje. Mas, neste caso, ela optou por denunciar a agressão à polícia e ao sindicato. Segundo Suzi, a professora conseguiu respaldo jurídico porque procurou por seus direitos.

Suzi entende que o medo dos professores de denunciar a violência tem fundamento. “Em muitos casos, eles (professores) não têm amparo do Estado”, diz. Como ‘soluções’ para diminuir a violência nas escolas, a diretora sindical defende que as salas de aula tenham no máximo 25 alunos. Hoje, a média é de 35 alunos por sala, podendo chegar a 50. Além disso, ela defende a participação maior da comunidade nas decisões tomadas dentro das escolas.

Não é só o professor que sai perdendo com a falta de segurança dentro das salas de aula. “Hoje em dia, os pais não se sentem mais seguros ao pensar que os filhos estão na escola”, argumenta. Para a Suzi, mesmo que o adolescente seja agressor, também é vítima. “Não adianta apenas punir o adolescente. Ele também sente-se inseguro com o ensino precário. Mesmo estando na escola, tem tempo ocioso que deveria ser aproveitado para o ensino”, diz.

Para a diretora da Escola Municipal Torquatto Minhoto, em Bauru, Maria Marta Gaiato Martins, que trabalha com crianças de 7 a 10 anos, a violência de alguns alunos contra professores já pode ser percebida desde cedo. “A escola não pode assumir também a educação que a criança deve receber em casa, dos pais. A escola é uma continuidade desta educação. O apoio da família, o diálogo, o acompanhamento da criança durante seu crescimento, é fundamental para o aluno aprender mais e superar os obstáculos da vida. Sem isso, a criança apresenta tendência ao desequilíbrio social desde muito cedo, através de agressões sem explicação. Em casos extremos, chamamos o Conselho Tutelar, para que a criança seja acompanhada também em casa”, explica a diretora.

Após saber dos colegas agredidos, ela reuniu funcionários da escola para falar e debater sobre o assunto. A última pesquisa realizada pela Apeoesp em todo o Estado, divulgado em 2004, mostrou que 11% dos professores já sofreram agressões físicas e outros 8%, agressões morais.

____________________

Alunos

Bauru também registrou violência entre alunos em escola nesta semana. Na última segunda-feira, uma menina de 11 anos foi agredida por outra aluna quando estava na porta de saída de uma escola estadual.

A garota recebeu socos no rosto e foi arranhada no pescoço. Ela registrou boletim de ocorrência.