09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A um ídolo morto


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Valho-me do clichê de que “os artistas verdadeiros não morrem”, por possuirem uma genuína verdade da idéia central. Realmente, os artistas não morrem (sobretudo as grandes), incorporam-se ao inconsciente coletivo, e eternizam-se apesar dos anos, pra ser mais exato, dez anos. Dez anos da morte de Renato Russo, e suas obra ainda têm enorme relevância para um considerável número de pessoas.

Renato Russo, o poeta do BRrock 80, que subverteu como ninguém a morbidez, a melancolia e a alegria de duas, ou quem sabe três gerações de jovens, através de muito barulho, e letras quem estão a milhas de distância da pasmaceira vigente na música brasileira contemporânea, e, sobretudo, do que se faz de Rock’n’Roll hoje, no Brasil. Seus versos que orbitam entre temas diversos, dos mais amenos até o inevitável binômio: vida e morte, sugestionam, incitam e provocam, sobretudo, emoções das mais diversas, talvez pela melodia, talvez pela letra, ou qualquer outra coisa perceptível aos ouvidos de quem ouve a canção, subjetividade esta que se torna imprescindível a qualquer manifestação artística.

Poeta não no sentido erudito do título, longe de qualquer pretensão deste tipo, Renato Russo estava entre a insanidade de Jim Morrison, e a melancolia de John Lennon, traduzindo muitas vezes em versos por vezes ingênuos, às vezes raivoso, e até piegas, um lirismo adolescente, sem pretensão, buscando a gênese dos conflitos internos que carregava em relação ao mundo, esquadrinhou seus cantos mais obscuros em altos decibéis com uma urgência de vida, como quem pressente que vai dizer adeus ao mundo cedo demais.

É como uma maldição, mas a impressão que se tem é a de que os grandes do Rock não foram feitos pra durarem muito tempo mesmo, como se os melhores, ironicamente, tivessem que dizer adeus mais cedo, aí Renato Russo não foi diferente, partiu deixando um espólio impecável à prova de bulas, a liderança à flor da pele dentro de uma geração que era vista por muitos como perdida, mas que revelou inegáveis talentos no qual seu nome está inserido, fazendo barulho depois de tantos anos no ouvido de muita gente.

Danilo Mendes Genebra - RG 40.963.502-9