O momento político municipal nos dá a impressão aflitiva de estarmos envolvidos num denso nevoeiro sem enxergarmos com clareza o que vem pela frente, estamos por cima de um atoleiro no qual vamos afundando. Muitos: acredito que “não sabem da missa a metade”, mas pagam o dinheiro dos “espertos” que se dizem governantes para comprar a dignidade dos desprivilegiados. Como professor, digo que governar ou fazer política é coisa pouco higiênica, digo que enganar é ilegal, mas me enoja ler os jornais. O jeito de fugir de tudo isso seria utilizar o jornal apenas para acender a churrasqueira após ter lido a cultura e ver as notícias do Tricolor do Morumbi. Mas insisto na esperança.
A política é um campo minado, a ética é de conveniência, mas como “pra tudo na vida tem um preço”, façam suas ofertas: ética e dignidade estão a venda, e o valor não deve ser muito alto, aproveitem, tem para todos os “bolsos”.
O casamento infeliz de corrupção com cumplicidade e a constante crise das autoridades públicas, trazem a tona a questão da moralidade (com reflexos em toda a nossa sociedade). Não estou usando, propositalmente, as palavras ética e dignidade: as duas andam esquecidas por alguns homens públicos de nossa cidade, ou pensando bem; alguns “pobres” talvez nem as conheçam.
Moralidade faz parte da decência humana, é compostura, é exercer a autoridade que lhe foi dada. É respeitar as regras sem ser uma alma subalterna, moralidade pode ser difícil, pois exige coragem em dizer “não” quando a tentação (de enganar, ou de compactuar com tudo isso) nos assedia de todos os lados. Dar alguns trocados, aos despossuídos, bolas e materiais esportivos, em lugar de brigar por empregos, saneamento e boa educação, que com certeza lhes devolveriam a dignidade, pois dignidade e moralidade, senhores.
É lutar pelo bem comum, perseguindo e escancarando a verdade mesmo que contrarie grandes e vários interesses, é nunca favorecer alguns em detrimento de outros; se não roubar pessoalmente, que não seja cúmplice de outros, se não for corrupto, não seja de modo algum, amigo ou companheiro de corruptos, nem ao menos se deixe rodear de pessoas assim, é preciso ser forte, inteligente e consciente do que lhe foi confiado.
Luiz Henrique P. Duchatsch - biólogo e professor - RG 29.316.230-X