09 de julho de 2026
Geral

Protesto por semáforo pára trânsito na Castelo Branco

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem feriado de Finados, dia em que os mortos são homenageados, dez mulheres fizeram um protesto pela vida, na Vila Independência em Bauru. Com cartazes em punho, elas interditaram as quadras 4 e 5 da avenida Castelo Branco para reivindicar a instalação de um semáforo. Na opinião delas, o aparelho de sinalização urbana poderá evitar acidentes fatais, como o que vitimou a aposentada Julieta Gomes Afonso, 78 anos.

Há um ano, a idosa foi atropelada na quadra 3 e morreu dez dias depois, em decorrência dos ferimentos. “Ainda não consigo passar por lá sem me lembrar dela. Eu nem a conhecia e fiquei doente, uma semana chorando sem parar”, conta Maria Lúcia Cavalcanti, que assistiu ao acidente. Ela conta que, dependendo de como se sente (em função do diabetes), não sai de casa com medo de ter de atravessar a avenida.

Por conta do tráfego intenso, especialmente por volta das 7h30, 12h e 17h30, a dona de casa Aparecida Maria Domingos não pega ônibus que pare na Castelo Branco. “Eu não consigo atravessar. Pego o circular que pára na rua Felicíssimo Antônio Pereira”, comenta. De acordo com elas, as limitações provocadas pelo trânsito atingem todos os moradores próximos. Até para ir à padaria, eles precisam pensar duas vezes, contam.

“Atravessar com crianças também é muito perigoso. Muitas vão a pé para a escola estadual Henrique Bertolucci. Há uns dois, três meses, atropelaram duas meninas da minha igreja”, acrescenta Maria Lúcia. Por essa razão, ela e as vizinhas apoiaram a manifestação organizada por Marlene Rodrigues Costa, integrante do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Oeste.

Rodovia

“Aqui virou uma rodovia, a gente não tem como atravessar. Faz 20 anos que a gente pede uma providência. Entra governo e sai governo, dá na mesma. Já fizemos abaixo-assinado em outras gestões. Amanhã (hoje), vamos fazer outro protesto às 17h30. Não queremos estar no cemitério no próximo ano”, comenta Marlene. Ela confirma a presença constante de policiais na avenida, mas não abre mão do semáforo.

“E não é radar que nós queremos, não. Ele só serve para encher os cofres públicos. A vida dela (da dona Julieta) só vale aquele obstáculo”, critica. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) instalou uma lombada na quadra 3 da avenida, após o acidente que vitimou a idosa. Desde então, não foram mais registrados casos com vítimas fatais, pondera a assessoria de imprensa da Emdurb.

De acordo com o sargento da Polícia Militar Gilberto Santana, da Base Comunitária de Segurança Oeste, atualmente não são muitos os casos de acidentes graves na avenida, embora o tráfego seja muito intenso. Na opinião do policial, um especialista em sistema viário deveria analisar o local e avaliar se a reivindicação dos moradores deve ser acatada.

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Análise

A Emdurb deverá analisar a reivindicação dos moradores. O estudo, no entanto, será feito com base no Código de Trânsito, informa a assessoria de imprensa. O código exige um número definido de carros transitando na via principal e nas transversais (além de pedestres e ciclistas) para indicar a instalação de um semáforo.

A Emdurb instalou na avenida uma ilha central. Por meio dela, pedestres podem atravessar a avenida em duas etapas. Ainda assim, para o motorista José Vieira, o semáforo será bem-vindo. Ele classifica a avenida como perigosa. A costureira Maria Ivone Pinheiro, porém, chama a atenção dos que andam a pé. “As pessoas não tomam cuidado. Muitas vezes atravessam sem olhar. Até revolta a gente”, conclui.