08 de julho de 2026
Nacional

Aeronáutica convoca força-tarefa

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - No sétimo dia de caos nos aeroportos do País, o Comando da Aeronáutica convocou, ontem, controladores de tráfego aéreo que trabalham no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), com sede em Brasília, como medida emergencial para tentar pôr fim ao caos nos aeroportos.

A convocação é obrigatória e atinge 149 controladores -o não-cumprimento pode acarretar em punição. Além disso, o controle do tráfego aéreo foi reforçado por mais 18 pessoas -11 militares da reserva, quatro remanejados do Rio, São Paulo e Curitiba e três transferidos de operações militares para civis. Outras ações para tentar pôr fim aos problemas nos aeroportos foram anunciadas nesta semana pelo governo federal, ainda sem surtir efeito.

Ontem, feriado de Finados, os principais terminais do País ficaram lotados e tumultos foram registrados por causa dos atrasos e cancelamentos de vôos, em um efeito cascata pelo Brasil. A espera persistia à tarde.

A Aeronáutica afirma ter detectado um colapso no tráfego aéreo, às 3h de ontem - o que levou o comandante, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, a intervir e convocar os controladores. Muitos passageiros passaram a madrugada dos saguões. No aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos), a espera passou de 15 horas. No Tom Jobim, no Rio, passageiros revoltados danificaram o balcão da Gol. Cansados, muitos desistiram das viagens e deixaram os aeroportos.

A crise começou na última sexta-feira, quando controladores de tráfego aéreo de Brasília decidiram iniciar uma operação-padrão e elevaram a distância entre os aviões, reduzindo para 14 o número de aeronaves vigiadas por controlador. Eles afirmam que a medida foi tomada em adequação às recomendações internacionais de segurança. O área sob responsabilidade do Cindacta 1 atinge o espaço aéreo dos Estados de São Paulo, Rio, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, parte do Mato Grosso e parte do Mato Grosso do Sul.

Controladores

Controladores de tráfego aéreo ouvidos ontem pela reportagem afirmaram que a convocação para o trabalho deve continuar durante todo o feriado prolongado. Eles disseram que a medida teria atingido também controladores que trabalharam durante e que acabaram retidos no Cindacta pela manhã.

A Aeronáutica afirma que, apesar da convocação emergencial, o descanso dos militares será respeitado e que todos foram obrigados a permanecer no local para uma reunião, mas aqueles que não foram convocados estão liberados. Profissionais ouvidos pela reportagem afirmaram que a medida elevou a tensão entre os militares.

Nesta semana, o ministro da Defesa, Waldir Pires, disse que a crise no tráfego aéreo tinha “natureza emocional” e pediu “ânimo” aos controladores. A tensão seria resultado da queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro, que resultou na morte dos 154 ocupantes do avião - o maior acidente do País.

Medidas

Nos últimos dias, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a crise, mas nenhuma surtiu efeito ainda. Entre as ações estão o remanejamento de rotas - o que pode aumentar o trajeto dos vôos - e a criação de um grupo formado por representantes de empresas aéreas, controladores de radar e funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para avaliar as prioridades dos vôos.

Além disso, de acordo com informações do Ministério da Defesa, hoje, circulará no “Diário Oficial” da União medida provisória que autoriza a contratação de 60 pessoas, por prazo determinado, “imprescindível ao controle do tráfego aéreo”. As contratações terão duração máxima até 31 de dezembro de 2007.

Cinco a dez dias

Ontem, o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, previu que os vôos nos aeroportos brasileiros só devem se normalizar no prazo de quatro a cinco dias. Ele admitiu que todos os vôos das grandes companhias aéreas - cerca de 600 - sofreram atrasos em todo o País.

Já para o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Carlos Botelho, a crise deve durar mais dez dias, aproximadamente - prazo previsto para treinamento de controladores remanejados para o Cindacta 1.

O setor está desfalcado desde o afastamento de oito controladores, após a queda do Boeing da Gol que deixou 154 mortos em Mato Grosso. Também na quarta, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a ampliação do horário de pousos e decolagens de vôos comerciais no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

A medida emergencial, com validade por 30 dias, visa a diminuir os atrasos generalizados em vôos. Pousos e decolagens serão permitidos até 1h30 - antes, o horário limite para a operação era 23h.