Teerã - O Irã começou a realizar ontem manobras militares com mísseis de longo alcance no Golfo Pérsico, nas quais estão sendo testados mísseis El Chihab 2 e 3, com um alcance de mais de 1.000 quilômetros. Os exercícios devem durar dez dias, segundo a TV estatal iraniana.
As manobras iranianas começaram três dias depois de 25 países, liderados por EUA, Reino Unido, França e Itália, iniciarem uma série de exercícios militares no golfo. As tropas ocidentais treinam para lutar contra o contrabando de material nuclear na região, segundo a agência iemenita de notícias Saba, que cita uma fonte militar americana não identificada.
“Nós queremos mostrar o desejo nacional de defesa global contra qualquer ameaça à soberania de nossa terra islâmica’’, disse o comandante dos Guardiães da Revolução, Yehia Rahim Safavi. Segundo ele, as manobras de dez dias, batizadas de Grande Profeta 2, devem ser realizadas no Golfo Pérsico, no mar de Omã e em várias Províncias do país.
Segundo a rede de TV, os exercícios contarão com mais de 1.800 homens. Safavi disse que as manobras terão ainda a participação da aviação, unidades terrestres e marítimas, caças-bombardeiros Sukhoi 25 e aviões sem piloto, além de cargueiros Antonov.
Em março e abril, a série de manobras Grande Profeta, também no Golfo Pérsico, foi feita com o objetivo de enviar uma “mensagem’’ contra a ingerência estrangeira no país. Os mísseis El Chihab 3, que são capazes de alcançar alvos a distâncias de mais de 2.000 km, poderiam ser utilizados para atingir Israel e alvos militares americanos no Oriente Médio. Entre as armas testadas, também estão os mísseis El Chihab 2, Scud-B, Zolfaghar-73 e Z-3.
As manobras militares ocorrem em um momento em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estuda projeto de resolução para impor sanções ao Irã, depois de sua recusa de suspender suas atividades de enriquecimento, como exige a resolução 1696 do Conselho. O Irã afirma que seu programa é pacífico, mas os EUA e países ocidentais temem que o programa vise construir armas nucleares.
Teerã afirmou que as conversas entre seis países sobre seu programa nuclear não aumentarão a segurança na região do golfo Pérsico. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu na segunda-feira que qualquer sanção internacional levará a “uma resposta adequada e firme” de seu país. Segundo ele, o programa nuclear constitui “um direito absoluto do povo iraniano”.
O Irã, que anunciou oficialmente no último final de semana que colocou em funcionamento um segundo conjunto de 164 centrífugas destinadas ao enriquecimento de urânio, deve chegar a ter 3.000 máquinas para passar para a etapa industrial.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), os cientistas iranianos também estão trabalhando na instalação de um terceiro conjunto de 164 centrífugas.