Há cerca de quatro meses, o vendedor Sulaiman Aziz decidiu trocar seu carro, um Escort, por uma moto para reduzir os gastos com combustível. Satisfeito com a economia, ele não pretende vender a moto nem quando puder novamente ter um outro veículo quatro rodas. É impulsionado por casos como o dele que o número de motos registradas em Bauru aumentou mais que a frota em geral. Entre setembro de 2005 e setembro deste ano, a quantidade de veículos de duas e três rodas cresceu 18%, enquanto a frota total cidade aumentou 7,2%.
Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), divulgados nesta semana pela 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Para Marcel Sona Cardoso, gerente de uma loja de motos, é exatamente o fato do veículo ser econômico que faz a frota de duas rodas aumentar mais que a de outros automóveis. “Muita gente já trocou e está trocando o veículo quatro rodas por moto por causa do preço do combustível, tanto que a linha mais popular é a que mais vende”, frisa.
Sona relata que, em muitos casos, quem compra a moto percebe que, com o dinheiro que gastava com combustível para o carro ou até de passagem de ônibus é possível pagar as parcelas do veículo duas rodas. “A moto faz 40 quilômetros com um litro. Eu gasto R$ 32,00 para encher o tanque e uso menos de dois tanques por mês. É muito, mas muito menos que eu gastava com o carro, sem contar manutenção”, explica Aziz, que usa a moto para trabalhar, ir à faculdade e passear.
Mas ele ressalta que faz questão de segurança e por isso comprou um capacete de R$ 1,2 mil. “Os capacetes comuns, de menos de R$ 100,00, apesar de serem certificados, não oferecem a mesma segurança. Já o meu protege não só a cabeça, mas como também a coluna em caso de acidente”, frisa.
E segurança realmente é um item que preocupa quando as estatísticas mostram o aumento da frota de motos. Neste ano, 18 pessoas morreram vítimas de acidentes de trânsito em Bauru, dos quais 12 envolveram moto, de acordo com a Polícia Militar. Com a experiência de anos trabalhando no trânsito, o sargento Sílvio Carlos Rossi explica que a moto é um veículo perigoso porque, em caso de acidente, o condutor geralmente fica ferido. “E, em muitos casos, fica ferido gravemente”, completa.
Por isso, avalia Rossi, é preciso investir em campanhas educativas, para evitar que os acidentes ocorram, e em fiscalização e autuação. “Muitos acidentes ocorrem porque o motociclista não respeita as leis de trânsito, excede a velocidade. Um exemplo é um acidente com vítima fatal ocorrido no cruzamento da avenida Nações Unidas com a rua 1.º de Agosto. O motociclista não esperou o sinal verde e atravessou. Um outro carro passou no amarelo. O motociclista morreu”, lembra.
O delegado Adib Jorge Filho, diretor da Ciretran, ressalta que Bauru é uma cidade com uma relação veículo/habitante alta, de 2,3 moradores para cada automóvel. “São 148 mil veículos para 350 mil habitantes”, comenta. Proporcionalmente, há mais veículos por habitante em Bauru que no Estado de São Paulo, que registra 2,7 moradores para cada automóvel.