Quem trabalha com reciclagem sob o sol forte aprende a conviver com tontura e dor de cabeça. A saída contra mal-estar depende da construção de mais um galpão, obra reivindicada por membros da única cooperativa de trabalhadores de materiais recicláveis de Bauru. A cobertura poderá ser viabilizada com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Até o dia 20 de dezembro, a entidade encaminhará à instituição em Brasília um projeto requerendo verba (não-reembolsável) disponível pelo banco, confirma Ireni Mendes de Souza Santos, coordenadora de apoio à formação de associações e de cooperativas.
Funcionária da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), ela se reunirá na próxima semana com os cerca de 23 cooperados para definir as prioridades a serem apontadas no projeto. De acordo com ela, a entidade precisa de tudo, desde a reestruturação de seu espaço físico, passando pela compra de equipamentos até cursos de capacitação.
O galpão, por exemplo, ajudará no rendimento da cooperativa, avalia Maria Luiza Fernandes da Silva, que integra a entidade. “A gente não agüenta o sol, tem que parar toda hora”, comenta. Com a obra, a cooperativa também deve aumentar o número de integrantes, aposta Valdelice Maria de Jesus Silva. “Estamos precisando de mais gente”, afirma a cooperada.
Em Bauru, estima-se que existam cerca de dois mil catadores de reciclável. Cerca de 111 deles estão se organizando e podem formar a segunda cooperativa de Bauru, informa Ireni. A única atual começou em 1986 como grupo. Em 1995 tornou-se associação e, no ano passado, cooperativa.
Funcionando no Jardim Redentor, ela também busca parcerias para reestruturar seu espaço. “Chegou em boa hora (a linha de financiamento do BNDES)”, conclui Ireni.