09 de julho de 2026
Nacional

Controladores negam querer ‘leilão de benefícios”

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Em nota divulgada ontem, a Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA) negou que a operação-padrão implantada pelos próprios controladores de tráfego aéreo há oito dias tenha a intenção de iniciar um “leilão de benefícios” entre a categoria e o governo.

No documento, a instituição afirma que a decisão de restabelecer à força os padrões internacionais de segurança visa apenas reduzir o risco de acidentes. As insinuações de que a crise traria benefícios para os controladores ganhou força na noite de anteontem, quando o ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu pela primeira vez estudar atender em breve antigas reivindicações da categoria como a criação de uma carreira, a concessão de gratificações e a desmilitarização do setor.

Os problemas do sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro ganharam notoriedade com a queda do Boeing da Gol ocorrida no último dia 29 de setembro, em uma região de mata fechada em Mato Grosso. Os 154 ocupantes da aeronave morreram. Depois de um mês de denúncias quanto à sobrecarga do setor, os controladores decidiram elevar a distância entre os aviões e reduzir para 14 o número de aeronaves vigiadas por cada um.

O resultado foi uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos. Na madrugada de anteontem, dia de Finados, o sistema entrou em colapso. Milhares de passageiros sofreram com esperas de até 20 horas e os prejuízos chegaram à rede hoteleira. Em resposta, a Aeronáutica fez uma convocação extraordinária ao trabalho e reforçou a equipe do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), em Brasília, inclusive com militares da reserva.

Nos dias anteriores, diversos controladores do Cindacta 1 haviam pedido afastamento de suas funções por problemas de saúde. O chamado irritou os controladores. De acordo com os termos impostos pela Aeronáutica, eles são obrigados a permanecer em alojamentos do Cindacta com um médico e quatro psicólogos até que a escala volte ao normal. São escalados 30 controladores por dia, dez por turno.

Durante a semana passada, o governo federal anunciou outras medidas para tentar conter a crise. Entre as ações estão a contratação temporária de mais controladores; o remanejamento de rotas; a criação de um grupo de profissionais do setor para avaliar as prioridades dos vôos; e a ampliação do horário de encerramento das operações do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) das 23h para a 1h30.