09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Natal será da retomada do crescimento

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Crescimento virou uma palavra de ordem no Brasil. O termo foi bastante explorado pelos candidatos à Presidência na última eleição. Embora ainda não passe de uma simples promessa de campanha para os próximos anos, o crescimento deverá ser uma realidade ainda este ano em Bauru. Pelo menos no que se refere às vendas do comércio. As expectativas entre os lojistas variam de moderadas a exageradas. Enquanto algumas lojas esperam crescimento em torno de 15% em comparação ao Natal do ano passado, outras falam em um salto bem maior, algo próximo a 45%. Os “eletrônicos populares”, produtos que fazem sucesso entre os consumidores jovens e adultos, devem ser as vedetes deste ano.

Os comerciantes consultados pelo Jornal da Cidade foram unânimes em apontar a queda nos preços como o principal motivo que deve impulsionar a venda neste Natal. Segundo eles, vários produtos estão custando cerca da metade do preço observado no Natal passado. Além disso, os juros estão menores, o que facilita o pagamento parcelado.

O barateamento de produtos como computadores, DVDs, home theaters, TVs de 29”, de plasma, câmeras fotográficas digitais e telefones celulares, entre outros, indica que este será o “Natal dos eletrônicos polulares”.

Um exemplo citado pelos lojistas para mostrar como os preços caíram de um ano para o outro foi uma câmera digital da Sony de 6.0 megapixels. Em 2005, custava cerca de R$ 1.400,00. Agora pode ser comprada por R$ 699,00.

Telefones celulares com câmera, que eram vendidos a R$ 599,00 há um ano, hoje podem ser adquiridos por R$ 399,00. Aparelhos de DVD que custavam em média R$ 200,00, os mais baratos, agora saem por cerca de R$ 150,00 ou até menos, dependendo da loja.

Da mesma forma, muitos outros produtos que fazem a cabeça dos consumidores, como TVs, computadores e home theaters, tiveram redução de preço.

Paulo Seimetz, gerente de uma loja na quadra 6 do Calçadão da Batista de Carvalho, cita o programa de inclusão digital “Computador Para Todos” - antes chamado de “PC Conectado”, como o principal responsável pelo aumento nas vendas desse produto. “Hoje, só não compra (computador) quem não quer”, diz ele.

O programa do governo federal tem como objetivo aumentar o número de brasileiros com acesso aos micros e também à Internet. Máquinas de até R$ 1.400,00 que seguem as configurações estipuladas pelo governo podem ser parceladas em até 24 vezes de R$ 70,00. As prestações podem ser ainda menores se o consumidor conseguir um preço abaixo dos R$ 1.400,00.

Segundo Seimetz, hoje é possível encontrar computadores com as configurações exigidas por R$ 1.300,00. Para se encaixar nessa exigência, o equipamento, de qualquer marca, deve utilizar obrigatoriamente software livre, como o Linux. Além disso, precisa contar com um processador de 1,5 GHz, disco rígido de 40 GB, memória RAM de 128 MB, monitor de 15 polegadas, unidade de disco flexível, unidade de CD-ROM, modem de 56K, placas de vídeo, áudio e rede on-board, mouse, teclado, porta USB e 26 programas.

“No Natal do ano passado, não era possível comprar um computador com essa configuração por menos de R$ 2.300,00”, lembra Seimetz.

Mais sofisticado

Quem já tem micro em casa vai querer se atualizar, na opinião de Angelo Manoel Prieto, também gerente de loja. Segundo ele, as pessoas querem agora um computador com gravador de DVD ou um monitor em LCD, mais sofisticado.

“O mercado de computadores é um dos que mais tem crescido ultimamente”, afirma o gerente Carlos Alberto Silva. Essa tendência é confirmada pelo também gerente de loja Décio Facioli. Na opinião dele, os micros estão cada vez mais acessíveis aos consumidores de baixa renda. Segundo ele, hoje é possível comprar um computador bom com cerca de R$ 990,00. O mesmo aparelho, no Natal passado, custava cerca de R$ 1.390,00.

Com o dinheiro da rescisão de contrato feita com a empresa onde trabalhava, o garçom Luiz Paulo de Oliveira, 18 anos, decidiu que vai comprar um computador de última geração. Será sua independência tecnológica. “Eu uso o computador que o meu pai tem no escritório, mas ele não deixa instalar jogos”, lamenta. Com um computador próprio, Oliveira vai poder jogar à vontade.

Já o trabalhador autônomo Leandro da Cruz Miranda, 31 anos, afirmou que vai aproveitar a queda nos preços para trocar de telefone celular. Segundo ele, a vida útil da bateria do aparelho antigo está no fim. Então, quer aproveitar a oportunidade e trocar não só a bateria, mas também o aparelho.

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Boas expectativas

A previsão do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, é de um Natal um pouco melhor este ano em comparação com 2005. Ele acredita que as vendas superem os resultados do ano passado.

No entanto, as expectativas são as mais variadas. Enquanto alguns comerciantes falam em 15% de crescimento, outros apostam em um salto de 45%.

O excesso de confiança, segundo Carlos Alberto Silva, gerente de uma loja localizada na quadra 6 do Calçadão da Batista de Carvalho, justifica-se porque o consumidor, na avaliação dele, está com mais dinheiro este ano e sabe que não haverá mudanças econômicas no ano que vem, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito. “Isso faz com que as pessoas se sintam mais seguras na hora de gastar”, afirma o gerente.

Em entrevista recente ao JC, o economista Reinaldo Cafeo, que integra a diretoria da Acib, declarou que a estimativa para este ano é que os gastos com os presentes de final de ano girem em torno de R$ 30,00 a R$ 40,00. Esse gasto, no entanto, deverá ser maior quando o presenteado é um parente próximo. Neste caso, as escolhas devem ficar entre os eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Cauteloso, Cássio Carvalho orienta as pessoas a equilibrar os gastos. Segundo ele, é importante que as pessoas não esqueçam de seus outros compromissos financeiros e iniciem 2007 com as contas em ordem.