09 de julho de 2026
Regional

Prefeitura tenta construir casas populares

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga - A construção de casas populares voltadas aos moradores de baixa renda passou a ser prioridade para a cidade de Iacanga (a 50 quilômetros de Bauru) após o início das obras de construção de uma usina, prevista para iniciar as operações em 2007. Porém, a área escolhida para a construção de 200 casas está sub judice e a administração municipal corre o risco de perder um convênio assinado com a Secretaria do Estado de Habitação de São Paulo.

Os pontos de estrangulamento são o valor do terreno e a sua localização. Para o prefeito, Ismael Edson Boiani, a obra poderia resolver o déficit habitacional. A falta de moradias foi comprovada há dois meses quando a administração anunciou a construção de 70 casas populares e teve mais de 900 inscritos.

Prevendo o aumento da população e a falta de residências, o prefeito quer construir 200 casas, que ocupariam uma área ao lado do conjunto habitacional Vila Paraíso. “Queremos dar seqüência a uma vila popular. A área é central e ideal para a obra. A usina emprega cerca de 200 pessoas entre funcionários e terceirizados. Assim que começar a funcionar, em 2007, deve empregar mais de 500”, explica.

Para a compra da área, a prefeitura ofereceu R$ 23 mil por cada alqueire, enquanto que o perito oficial avaliou em R$ 240 mil o alqueire. A diferença é gritante e inviabiliza o negócio e, conseqüentemente, a construção e a perda do convênio, reclama Boiani.

Outro item da avaliação é contestado pelo prefeito. “As fotos feitas pelo perito mostram casas de alto padrão que existem, porém, a mais de 300 metros da área.”

Para o prefeito, o valor determinado pelo perito está fora de cogitação. “A prefeitura não tem condições de pagar R$ 240 mil o alqueire. A construção, nessas condições, se tornaria onerosa para os cofres públicos, conforme ele mesmo admitiu na avaliação.”

A briga judicial pode fazer com que a cidade perca a oportunidade de instalar o conjunto habitacional. “Eu já assinei o convênio com a Secretaria de Habitação. Tenho 30 dias para entregar a escritura. Vou pedir prorrogação do prazo para uma solução amigável. Estou disposto a pagar um pouco mais”, garante.

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Investimentos

A valorização dos imóveis em Iacanga não passou despercebido dos empresários do setor que investem na implantação de novos empreendimentos. De acordo com o corretor imobiliário Irauê Caldas da Silveira Bello, até um condomínio fechado, na beira do ribeirão Claro, está para ser lançado no próximo ano. “É um condomínio elitizado”, descreve.

Outros empreendimentos estão sendo planejados. “Tem um outro loteamento que falta a regularização para iniciar a venda e há outro que está sendo vendido por um pessoal de Ibitinga.” Os novos empreendimentos, informa o corretor, são fruto de investimentos feitos por empresários do setor de fora da cidade. “São empresário de Bauru, Ibitinga e da Capital”, explica.

Apesar desses investimentos, o prefeito Ismael Edson Boiani é enfático em dizer que a cidade ainda não tem infra- estrutura para acolher novas indústrias. “Não temos área disponível no distrito industrial nem moradia suficiente para os funcionários. Temos que planejar a cidade. Ela não foi preparada para isso”, afirma.

Ele lamenta já ter perdido uma proposta. “Um empresário do setor de confecções queria montar uma fábrica que geraria cerca de 400 vagas para o público feminino. Iria investir 10 milhões. Eles queriam uma área no distrito industrial, mas o local está sub judice.” A briga judicial acabou levando o empresário a desistir e a instalar a empresa na Bahia.

Para ele é importante aproveitar os espaços vazios próximos ao Centro. “Não adianta a cidade expandir distanciando-se da área central. Nossa preocupação é com a ocupação desordenada. Não queremos o surgimento de favelas. Queremos dar condições dignas de moradias”, afirma.

O município de Iacanga, segundo o prefeito, é composto de 55 mil hectares; 33 mil eram de pastagens, sendo grande parte descuidado, em sua opinião.