Qualquer dona de casa sabe que cuidar de uma residência não é nada fácil: existem inúmeras contas a serem pagas, diversos reparos a serem realizados e vários problemas de relacionamento a serem resolvidos. Se em ambientes de dimensões reduzidas (casas, apartamentos) a tarefa já é trabalhosa, nos condomínios verticais - que costumam reunir dezenas de prédios e milhares de moradores - a missão costuma ser bem mais que árdua.
O tamanho da dor de cabeça que os síndicos têm de enfrentar pode ser sentido pelas despesas de manutenção existentes nesses lugares. No Residencial Vila Inglesa (situado na região central da cidade), os gastos ficam em torno de R$ 78 mil.
No Residencial Camélias (localizado na zona sudeste de Bauru), os orçamentos são ainda maiores. A administração do prédio costuma usar cerca de R$ 100 mil, ao mês, para poder manter o condomínio. Tantos gastos podem ser justificados pela quantidade de pessoas vivendo nesses lugares. O Vila Inglesa, por exemplo, tem aproximadamente 1.200 moradores.
Cuidar de tanta gente demanda gastos. Só com salário de funcionários (22 no total), a administração do Vila Inglesa gasta R$ 35 mil, todos os meses. O restante é usado para o pagamento de contas de água e iluminação de área comuns, bem como para custear reformas ou reparos necessários.
Jorge Luís Bica Neto, síndico do lugar, reconhece que os gastos são expressivos, tanto que ultimamente ele vem buscando meios para que as despesas sejam reduzidas. “Nossos gastos com água são muito altos (aproximadamente R$ 12 mil ao mês). Estamos traçando uma espécie de plano de metas, para tentar convencer o moradores a serem mais econômicos, ajudando a fazer com que as contas do condomínio sejam menores”, diz.
Além de cortar gastos, outra maneira encontrada pelo síndico para melhorar a saúde financeira do Vila Inglesa foi a venda de material reciclável, coletado junto aos próprios moradores. “Em cada um dos blocos foram fixados tambores, onde as pessoas podem colocar latas, papéis, garrafas, que depois são comercializados em benefício do condomínio”, explica.
No último ano, a administração do Vila Inglesa conseguiu ajuntar quase uma tonelada de material reciclável, só que a venda do produto não costuma ser das mais lucrativas. “Rende entre R$ 250,00 e R$ 300,00, ao mês. É pouco, mas já ajuda”, acredita Bica Neto. Mas as funções dos síndicos vão muito além da administração de recursos.
Autoridades máximas no interior dos condomínios, eles têm de exercer inúmeros papéis ao mesmo tempo. Às vezes, atuam como delegados, impondo disciplina àqueles que não respeitam as regras de convivência. Em outras, fazem as vezes de juízes, tendo de resolver problemas existentes entre moradores. De vez em quando, precisam até dar uma de babá, cuidando para que as brincadeiras das crianças não se transformem em problemas para a vizinhança.
O bancário Adauto Sebastião Bombini Júnior, 43 anos, conhece essa realidade de perto. Ele foi eleito síndico do Residencial Jardim dos Duques (localizado nas proximidades do Camélias), oito meses apenas depois de se mudar para o local. Empreendedor, ele conseguiu realizar diversas obras do condomínio, tanto que acabou sendo reconduzido para o cargo no ano seguinte.
Nesse período, Bombini Júnior - que já não é mais síndico - enfrentou situações difíceis. Há pouco mais de um ano ele foi obrigado a passar uma madrugada de sábado para domingo acordado, devido a vazamento ocorrido em um dos prédios. “Fiquei das 2h às 10h ajudando o zelador a achar onde estava o defeito”, conta.