09 de julho de 2026
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Economista une técnicas de ciências exatas e humanas

Por Vinícius Caetano Segalla | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Um cientista social equipado com um ferramental matemático que lhe permite mensurar e prever fenômenos decorrentes das atividades produtivas humanas. Um profissional que interpreta dados como taxas de crescimento, PIB e inflação para montar estratégias de investimento e produção para empresas, ONGs ou o governo. Este é o economista, uma mistura de administrador, matemático e sociólogo, que estuda estatística, matemática financeira, ciência política e história econômica.

Em virtude de seu caráter de ciência humana e da grande abrangência de áreas de especialização, cada faculdade constrói um tipo de curso, seguindo algumas correntes de pensamento econômico em detrimento de outras.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, o curso surgiu nos anos 70, durante a ditadura, e disposto a mudanças. “Sua origem encontra-se diretamente ligada a um grupo de economistas que, seguindo a tradição do pensamento crítico latino-americano, se propôs a estudar a economia incorporando autores que não eram lidos nas demais escolas, como Keynes e Marx’’, conta Rosangela Ballini, coordenadora de graduação.

Apesar disso, ressalva a professora, “sempre se primou pelo caráter plural do ensino, com uma sólida formação teórica que se complementa com pesquisas sobre situações ligadas à economia brasileira’’.

É também com foco na realidade do país que se criou o curso da Fundação Getulio Vargas (FGV), que forma sua primeira turma em 2007. “Temos linha política, não ideológica. Nosso compromisso é com o desenvolvimento do Brasil e a produção de conhecimento é baseada na agenda nacional’’, afirma Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, coordenador do curso.

Já o chefe do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Joaquim Guilhoto, classifica o curso que preside como “de centro”.

“Temos, porém, professores das mais diferentes correntes, e nosso leque de disciplinas optativas permite que o aluno escolha o caminho que quer seguir. Ele pode se especializar tanto em mercado financeiro quanto em teoria marxista.’’

Outra escola com tradição econômica é a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A instituição ganhou ainda mais notoriedade quando alguns de seus professores e ex-alunos integraram a equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso, impondo políticas de caráter liberal.

Apesar disso e de professores de outras instituições terem classificado o curso da faculdade como “fundamentalista de mercado’’ e “bitolado em financismos’’, a própria escola não se enxerga assim. “A PUC-Rio sempre se pautou por grande pluralidade’’, diz Juliano Assunção, coordenador de graduação.