08 de julho de 2026
JC Criança

O pai do Maluquinho

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Quando se trata de literatura infantil, o escritor e cartunista mineiro Ziraldo Alves Pinto, ou apenas Ziraldo, 74 anos, é um dos nomes mais lembrados pelas crianças e também pelos adultos. Autor de mais de 70 obras, entre elas “Menino Maluquinho”, “Saci Pererê” e “FLICTS”, Ziraldo esteve recentemente na cidade. Ele fez uma palestra para professores durante a 6.ª Semana de Educação do Município de Bauru e mostrou que seu trabalho mexe com a cabeça de muitas pessoas, em especial crianças de todas as idades.

O livro “Menino Maluquinho”, por exemplo, já vendeu mais de 2 milhões e meio de exemplares no Brasil e também em todo o mundo. E há pouco tempo foi lançado em coreano. Para Ziraldo, uma das razões deste sucesso é a identificação das crianças com o personagem.

“O menino que lê as histórias do Maluquinho se reconhece e acha que estou falando dele, por exemplo”, diz. Isto acontece com Jean Luca Barbosa Mainini, 11 anos, aluno da 4.ª série da escola estadual Professora Mercedes Paes Bueno, que se acha parecido com o personagem. “Gosto porque ele é bem maluquinho e usa um chapéu de panela. Para brincar, também pego uma panela emprestada da minha mãe e coloco na cabeça”, diz.

Leitor das obras de Ziraldo, Jean é fã do “Menino Maluquinho”, que, além de fazer travessuras e divertir as crianças nas páginas dos livros, é tema de histórias em quadrinhos e também de um seriado exibido na TV Educativa (TVE).

Jean não perde um programa. “Adoro ver o Menino Maluquinho na televisão. Ele é o máximo”, diz ele, que também gosta da família e dos amigos do Maluquinho, entre eles o Bebê Maluquinho e a Vovó Delícia.

Apesar de revelar que o Maluquinho lhe traz muitas alegrias, Ziraldo ressalta que em toda sua carreira não existe uma história que mais gostou de fazer. “As histórias são como filhos, não se gosta mais de um ou de outro.” Uma das principais características do seu trabalho é a de criar personagens inusitados e ter facilidade em escrever sobre os mais diferentes assuntos.

No gibi Saci Pererê, por exemplo, o cartunista conta as aventuras do menino de um perna só, uma figura de destaque do folclore brasileiro. Em “FLICTS”, ela aborda a história de uma cor sem lugar no mundo. Neste livro, inclusive, Ziraldo fez questão de utilizar diversas cores e poucas palavras. Já “O Bichinho da Maçã” e “O Menino Mais Lindo do Mundo” são obras baseadas em histórias bíblicas. Atualmente, ele está escrevendo outro livro, que deverá se chamar “As Meninas” (confira as principais obras do autor no quadro abaixo)

Segundo Ziraldo, a inspiração para escrever pode surgir a qualquer momento. “Para um músico, uma simples folha caindo da mangueira dá samba. Com a literatura ocorre o mesmo. Uma motivação, um comentário ou um momento que se vive pode resultar em um livro”, diz.

Ele conta que quando estava vindo para Bauru teve uma inspiração para um capítulo da obra. “No avião me ocorreu uma idéia e escrevi em um papel porque, se eu não anotar, esqueço”, revela.

Para Ziraldo, por meio do livro é possível conhecer pessoas e diferentes lugares do mundo, abusando da imaginação e fantasia. “A leitura não é um dever, mas sim um prazer. Quem não gosta de ler perde a possibilidade de um convívio maravilhoso com a poesia, literatura e informação”, diz.

Aline Mantuani Mitiue, 9 anos, aluna da 3.ª série do colégio Dinâmico Balão Azul, sabe disso. Leitora de Ziraldo, ela curte ler as tiras “Anedotinhasdo Bichinho da Maçã” publicadas no JC Criança. “As historinhas têm muitas formas e cores. E são bem legais”, diz. Ela também aponta algumas características do Maluquinho, de que quem gosta bastante. “Ele é engraçado, alegre e curioso. Às vezes é sapeca e usa uma panela. Já tentei desenhá-lo mas não ficou muito bom”, conta Aline.

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Trechos

“Era uma vez o menino maluquinho Ele tinha o olho maior que a barriga Tinha fogo no rabo Tinha vento nos pés.”

(trecho de “O Menino Maluquinho”)

“Todo bebê esperto

berra quando está com fome

A mãe dá logo o peito

para o bebê mamar.”

(trecho de “Um, Dois, Feijão com Arroz”)

“Não deu outra! poucos dias depois ele sentia sua casa tremer. Logo em seguida ouviu um estalinho e percebeu tudo: sua maçã e eles acabam de ser colhidos do pé.” (trecho de “O Bichinho da Maçã”)