08 de julho de 2026
Internacional

Recados aos EUA encerram a cúpula

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Montevidéu - Apesar da ausência de oito dos 22 líderes convidados e do desgaste gerado por conflitos bilaterais, os países da Europa e da América Latina que compõem a Cúpula Ibero-Americana, que terminou ontem em Montevidéu, no Uruguai, chegaram a um acordo sobre o fenômeno da migração de pessoas e enviaram vários “recados” aos EUA - entre eles o de que “migrar é um direito, não um crime”.

Foram 12 documentos assinados, como um comunicado especial que condena a construção pelos EUA de um muro na fronteira com o México. Não houve, porém, grandes avanços práticos. O principal instrumento foi o Compromisso de Montevidéu sobre Migrações e Desenvolvimento, que acertou a redução do custo das remessas de dinheiro, feitas sobretudo da Espanha e de Portugal para os demais países.

Entre os latino-americanos, 13% das pessoas vivem em um país diferente daquele em que nasceram. O total de emigrantes chega a 25 milhões de pessoas em todo o mundo, que enviaram cerca de US$ 54 milhões para seus países de origem no ano passado.

O compromisso rejeita ações unilaterais e coercitivas, reconhece a importância do trabalho dos imigrantes para o desenvolvimento econômico e estabelece a necessidade de cada país “assumir as responsabilidades que lhe cabem” no processo.

Ao mesmo tempo, foi reafirmado o direito que cada nação possui para quem entra ou não em seu território. O Chile organizará a cúpula de 2007, que terá o tema “Coesão social e Políticas Sociais”.

Chanceleres

Ontem, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, fez uma defesa do evento e disse que todos os 22 países participaram, mas alfinetou, lembrando que três - Brasil, Venezuela e Peru - enviaram a um encontro de chefes de Estado e de Governo apenas seus chanceleres.

Também foi renovado o pedido aos Estados Unidos para colocarem um fim ao bloqueio econômico contra Cuba. Na cúpula, boa parte do tempo foi dedicada aos conflitos bilaterais.

O boliviano Evo Morales levou à plenária a questão sobre acesso ao mar - o que irritou bastante a delegação chilena - e também tratou da nacionalização dos hidrocarbonetos.

Ficou evidente o protagonismo da Espanha, que propôs a criação de um fundo de combate à pobreza e ainda o incentivo para a cooperação energética.

O rei da espanha, Juan Carlos, foi encarregado de promover o diálogo, atualmente interrompido, entre os presidentes do Uruguai e Argentina.