11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Consumidores reclamam do peso do pão

Por Lucien Luiz | Com Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos dias, comprar pão tem sido sinônimo de aborrecimento para muita gente. O produto passou a ser comercializado por peso há 19 dias, medida que tem desagradado grande parte dos consumidores. A principal reclamação é de que o pão ficou mais pesado e, conseqüentemente, mais caro.

Para evitar esse tipo de insatisfação entre os clientes, muitas panificadoras de Bauru estão procurando manter o peso do alimento em 50 gramas para que o preço do produto seja o mesmo de quando a venda era feita por unidade. Informações de consumidores que procuraram o JC nesta semana dão conta de que algumas padarias estariam tirando proveito do novo sistema de venda para faturar mais. O pão estaria sendo produzido com tamanho maior, para pesar mais na balança.

A dona de casa Nadir Firmino Monari não aprovou a venda do pão por quilo. “Antes, a unidade do pão era vendida por R$ 0,20 na padaria aqui perto. Hoje ele não sai por menos de R$ 0,25, podendo até chegar a R$ 0,30”, afirma. “Eu e muitas conhecidas minhas achamos que a situação piorou, já que antes parecia ser mais barato”, completa Nadir.

Na tentativa de economizar, ela passou a pesquisar os preços nas padarias e supermercados próximos à sua residência. “Na padaria onde costumava comprar pão, o preço do quilo hoje é de R$ 4,00. Agora mudei para o supermercado, que fica a uma quadra da padaria e cobra R$ 3,50 o quilo”, salienta a dona de casa.

Estratégia

Para evitar esse tipo de desconfiança entre os clientes, José Isaac, dono de três panificadoras em Bauru, continua oferecendo o pão francês com o mesmo volume de quando o produto podia ser comprado com preço por unidade. “Estamos cortando o pão do mesmo tamanho de antes. Não queremos descontentar nosso cliente. O consumidor paga hoje, por dez pãezinhos, o mesmo preço que pagava enquanto a pesagem ainda não estava em vigor”, salienta.

E a postura adotada por Isaac parece ter dado resultado. Segundo ele, a venda do pão francês em outubro foi 10% maior que a de setembro, entre os três estabelecimentos do empresário. O crescimento, conforme Isaac, equivale a 20 mil pães a mais na mesa dos bauruenses.

“Não deixamos o cliente sentir diferença com a mudança do sistema de venda. Isso foi fundamental para não perdermos movimento”, declara.

A mesma estratégia usada por Isaac tem garantido a clientela na padaria de José Losnak, na Vila Rocha. Segundo ele, o consumidor estranhou comprar o pão por peso nos primeiros dias. A reclamação de que o produto havia ficado mais caro também foi inevitável. “Estamos procurando manter o peso do produto em 50 gramas para não dar diferença no preço e não gerar insatisfação do cliente. Mas é importante que as pessoas percebam que, hoje, elas estão pagando pela quantidade que levam. Não está sofrendo perdas, embora ela tenha o direito de comprar a quantia que desejar”, completa Losnak.

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Fiscalização

Luiz Antônio Brizzi, chefe de divisão técnica do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Bauru, diz que é importante que o consumidor fique atento na hora de comprar o pão. Ele lembra que o peso do saquinho onde o pão será embalado tem de ser descontado. “O preço do quilo do produto também precisa estar exposto, de forma bastante visível, assim como a balança tem que estar posicionada de maneira que o consumidor possa acompanhar a pesagem”, orienta Brizzi.

No próximo dia 10, o Sindicato das Panificadoras de Bauru se reunirá com representantes das 127 padarias do município para apurar as dificuldades que os estabelecimentos estão enfrentando nesses primeiros dias do novo método de venda. De acordo com o presidente do órgão, Evaristo Gonzales, o aumento do peso do pãozinho também será uma das pautas de discussão do encontro.

“Se tiver padaria aumentando o peso do pão com a finalidade de ganhar mais, acredito que ela possa sofrer um efeito contrário. A tendência do consumidor é optar pelo mais barato”, acrescenta.

A reunião com a categoria está marcada para as 15h, no auditório do Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial (Senai), inclusive com a presença de representantes do Ipem.