10 de julho de 2026
Geral

Saúde teme fim de aeroporto da zona sul

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

A possível desativação do “antigo” aeroporto de Bauru, localizado na zona sul do município, pode prejudicar e muito o atendimento de urgência e emergência prestado pela prefeitura. A constatação é do diretor do departamento responsável pelo serviço, o médico José Roberto Berber.

Para ele, o terminal oferece maior acessibilidade e rapidez para o embarque e desembarque de pacientes em estado crítico de saúde do que o novo aeroporto, que fica na divisa com Arealva, a 24 quilômetros do perímetro urbano de Bauru. Segundo Berber, essa distância pode custar uma lesão mais séria ao paciente ou até mesmo sua própria vida.

“O aeroporto (situado na cidade de Bauru) fica próximo dos grandes hospitais. Estrategicamente, está muito melhor localizado (que o novo). Se eu tiver que buscar um passageiro lá (no recém-inaugurado), levaria entre 20 e 30 minutos para chegar. Dependendo da circunstância, cinco minutos é tempo suficiente para o indivíduo ter uma lesão cerebral irreversível”, alerta o médico.

Conforme Berber, a situação é ainda mais complicada porque o atual complexo aeroviário - que tem 15 dias de inauguração - não oferece estrutura médica para atender casos de urgência e emergência no local. “O indivíduo que sofre uma parada cardiorrespiratória, se ficar cinco minutos sem oxigênio, fatalmente terá uma lesão cerebral. Portanto, é uma distância considerável”, ressalta.

O médico ainda destaca que a estimativa da administração do novo aeroporto é de que a circulação diária no local seja de 1.500 pessoas, o que para ele aumenta a possibilidade de mal súbito. “Os usuários de avião, em geral, são pessoas de meia-idade, as quais estão mais sujeitas de sofrerem enfarto do miocárdio, crise convulsiva, derrame cerebral”, completa.

De acordo com Berber, o terminal deveria dispor de pelo menos um médico, enfermeiros e equipamentos como desfibrilador, balão de oxigênio e monitor cardíaco. A estrutura, segundo ele, garantiria um pronto-atendimento aos passageiros que sofressem algum problema grave de saúde, como um enfarto ou acidente vascular cerebral (AVC). O complexo dispõe apenas de um posto de resgate do Corpo de Bombeiros.

“Se uma eventualidade dessas acontece aqui no Centro (de Bauru), a resposta do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ocorre em cinco minutos ou até em menos tempo. Temos condições de fazer a reanimação e desfibrilação para a pessoa sair com vida. Se ocorrer no aeroporto novo, não há chance nenhuma. Cada minuto que passa, o paciente tem 10% a menos de condições de sobreviver”, explica.

Berber lembra que a administração do aeroporto terá de se responsabilizar pela vida do passageiro em caso dele sofrer algum problema de saúde e não for atendido prontamente no local por falta de estrutura médica. Ainda segundo ele, a administração do aeroporto alega que área de pronto-atendimento é indicada apenas para grandes complexos aeroviários, onde o fluxo de passageiros é substancial perto da demanda de Bauru.