08 de julho de 2026
Nacional

Lula terá um ministério com menos PT

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Ao debater em reunião ontem com auxiliares os critérios de formação do ministério em seu segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não vai “repetir os erros de 2002”. O presidente pretende reduzir o espaço que deu ao PT. Candidatos derrotados nas eleições estaduais serão exceção no primeiro escalão.

Em janeiro de 2003, 19 dos 33 ministros eram filiados ao PT. Dos 19, 8 haviam sido derrotados nas eleições estaduais. Segundo relato de auxiliares, Lula disse ontem não ter pressa para montar o novo ministério.

Ao contrário de 2002, quando o então presidente do PT, José Dirceu, fez as negociações para montar o governo, Lula não terá um grande auxiliar comandando essa tarefa. Ele disse que pretende fazer diretamente os contatos com os líderes políticos e dirigentes partidários.

Participaram da reunião de ontem com Lula os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e o vice-presidente José Alencar. Bastos deve oficializar em conversa hoje com Lula o pedido para deixar o governo. São remotas as chances de ele reconsiderar.

Ele também considera que cumpriu sua tarefa. Quer dedicar mais tempo à família, que vive em São Paulo, e retornar à advocacia criminal.

O ministro Gilberto Gil (Cultura) também já disse a Lula que não gostaria de continuar. Segundo a reportagem apurou, ele argumentou que teria cumprido sua missão e desejaria voltar à carreira artística. Os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil) não participaram da reunião de ontem com Lula. Tarso está em viagem -tirou dez dias de férias. Dilma teve um princípio de pneumonia e ficou em casa, em recuperação.

Infra-estrutura

Para evitar um colapso no País caso se alcance a meta de 5% de crescimento da economia a partir do próximo ano, Luiz Inácio Lula da Silva orientou sua equipe a priorizar a área de infra-estrutura. Em reunião ontem com a coordenação política do governo, o presidente decidiu que nas próximas semanas irá viajar pelo País para visitar as obras em execução e tentar acelerar os projetos.

O presidente se reúne hoje com os ministros Paulo Sérgio Passos (Transportes) e Silas Rondeau (Minas e Energia), que devem apresentar um balanço das obras em andamento no País. Se identificar que problemas ambientais prejudicam a execução das obras, Lula deve conversar depois com a ministra Maria Silva (Meio Ambiente) e o Ibama. Pelo menos duas apostas do governo estão emperradas por causa de problemas ambientais: o complexo hidrelétrico do rio Madeira e a transposição de águas do Rio São Francisco para o sertão nordestino.

Segundo fontes do Planalto, o presidente está disposto a retomar, nas próximas semanas, as viagens nacionais para visitar obras. Entre as prioridades estão as estradas. A reportagem apurou que com a proximidade das férias do final de ano, o presidente quer evitar transtornos para a classe média e recuperar o apoio deste setor da sociedade já afetado com o apagão aéreo.

Para evitar que estas ações sejam atropeladas pela decisão sobre a montagem da nova equipe, o presidente não deve antecipar anúncios sobre quem serão seus colaboradores no segundo mandato.

Congresso

O presidente Lula também definiu na reunião da coordenação política que irá assumir a interlocução com os partidos. Nos próximos dias, Lula irá se reunir com mais governadores eleitos, mas não há previsão de uma reunião com todos os novos mandatários. Esta tarefa vinha sendo exercida pelo ministro Tarso Genro, que agora vai se limitar a tratar da agenda de votações com o Congresso.