São Paulo - Mais de três anos após o crime, a polícia de São Paulo prendeu o último dos quatro homens acusados de envolvimento direto no assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente (SP) Antônio José Machado Dias, em março de 2003.
Adilson Daghia, 37 anos, o Di ou Ferrugem, foi preso na última sexta-feira, em São Miguel Paulista (zona leste de SP). Ele é acusado de dirigir um dos carros usados na emboscada ao juiz. Dias recebeu três tiros quando deixava o fórum em Presidente Prudente (565 km da Capital).
Dos quatro envolvidos diretamente na emboscada, nenhum foi julgado até ontem. Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, foi apontado na denúncia feita pelo Ministério Público como o autor dos disparos - a polícia chegou a apontar ontem Ferrugem como o homem que deu os tiros, o que não corresponde à denúncia da Promotoria criminal. Além dos quatro, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), também foi denunciado por ser supostamente o mandante do crime. Dias, considerado um juiz rigoroso, era responsável por julgar benefícios e transferências de presos do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, onde membros do PCC são submetidos a um regime mais rígido.
Ferrugem foi preso em uma operação para monitorar outro suposto integrante do PCC, José Wilson Tavares Lopes, 27 anos, o Tigrão, também preso. Segundo o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Departamento Estadual de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), ele era “piloto” (chefe de uma região) da facção criminosa na zona norte de São Paulo. Com ele, foi apreendido um fuzil alemão, documentos falsos e pequena quantidade de droga.
A polícia investiga se Tigrão tem envolvimento com atentados ocorridos contra agentes públicos. A reportagem não teve acesso aos presos. Ferrugem se recusa a falar sobre a morte do juiz, segundo o delegado. Durante os anos após o crime, ele teria sido protegido por membros do PCC. “Ele tinha uma vida nômade, o que dificultava a sua prisão”, disse Fontes.