09 de julho de 2026
Internacional

Estados Unidos vão às urnas hoje

Por Andrea Murta | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Pesquisa divulgada pelo Pew Research Center anteontem mostra que a diferença entre as intenções de voto nas eleições americanas de hoje é de apenas quatro pontos percentuais (47% para democratas e 43% para republicanos). Há duas semanas, a vantagem democrata era de 11 pontos percentuais: 50% contra 39%. Mas a média das pesquisas aponta que os democratas podem fazer a maioria na Câmara pela primeira vez desde 1994.

O resultado da nova pesquisa pode ou não ter sofrido influência da decisão judicial que condenou o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein à forca, também anteontem, mas a notícia é animadora para os republicanos, partido do presidente George W. Bush - que vem sendo duramente criticado por sua estratégia de condução da Guerra do Iraque.

Entre os eleitores registrados, que devem mesmo comparecer às urnas, a diferença é de oito pontos percentuais - 48% preferem democratas e 40% republicanos. Nos EUA, o voto não é obrigatório. A diminuição da diferença entre os dois partidos lança dúvidas sobre as previsões de que o Partido Democrata receberá votos suficientes para reconquistar o controle da Câmara dos Representantes (deputados).

A pesquisa foi feita por telefone com 2.912 possíveis eleitores, entre os dias 1 e 4 de novembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Bush e Saddam

O anúncio do veredicto de Saddam Hussein (condenado à forca) foi feito anteontem, dois dias antes das eleições americanas, mas Bush negou relação entre as datas. Segundo a Casa Branca, a data do veredicto foi escolhida por processos da própria corte iraquiana que julgou o ex-ditador. Ainda assim, após a condenação, declarações de Bush soaram diretamente voltadas para eleitores republicanos, ao tocar na questão da segurança nacional.

Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal “The New York Times” (NYT), Bush se aproveitou rapidamente do anúncio para reforçar sua estratégia central de tentar convencer eleitores republicanos a participarem da votação. “Hoje nós testemunhamos um acontecimento que marca a história do Iraque: Saddam Hussein foi condenado e sentenciado à morte pelo Alto Tribunal Iraquiano”, disse Bush em um discurso para apoiadores em um auditório em Grand Island (Nebraska).

Apesar de negarem a relação entre as datas do julgamento e as eleições, candidatos republicanos também sugeriram que a decisão de anteontem (a condenação de Saddam) pode se converter em benefícios políticos nas urnas.

Um alto oficial do Partido Republicano, que pediu anonimato, disse que a condenação iria revigorar os eleitores republicanos que estavam desanimados com o Iraque. Já os democratas, apesar de também comemorarem a condenação de Saddam, tentaram minimizar a impressão do veredicto e seu suposto efeito de gerar estabilidade ao Iraque, na tentativa de minimizar, também, o impacto desse fato no resultado das urnas.

Para o senador democrata Charles E. Schumer, de Nova York, um dos principais agentes da tentativa da oposição de reconquistar o controle do Senado, “as pessoas estão preocupadas com o futuro do Iraque, não com seu passado”.

Hoje, cerca de 200 milhões de eleitores nos EUA irão às urnas para renovar toda a Câmara dos Representantes (deputados), um terço do Senado e 36 governadores dos 50 Estados do país. O voto nos EUA não é obrigatório. Os republicanos ocupam 230 das 435 cadeiras para deputados, enquanto os democratas ocupam 201. Já o Senado é composto por 55 republicanos, 44 democratas e um senador independente. Para retomar o controle da Câmara dos Representantes, os democratas precisam ganhar 15 cadeiras a mais do que possuem hoje.