08 de julho de 2026
Politicando

‘Fundo’ desfalcado


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Em 1979, a Apeoesp convocou greve do professorado paulista em busca de melhores salários e, em Bauru, o movimento paredista liderado pelo professor e então vereador Isaias Daibem, dentre outros, montou seu QG no salão paroquial da Igreja São Judas Tadeu. Outros sindicatos, diretórios acadêmicos, movimentos populares, como o da Anistia e o Contra a Caristia, hipotecaram solidariedade ao movimento paredista, que igualmente servia de protesto contra a ditadura militar.

Estudantes fizeram mutirões e pixaram muros – sempre públicos e de terrenos baldios – com palavras de ordem em defesa e solidariedade ao movimento do professorado.

À noite, um grupo dirigiu-se até a Assembléia com o intuito de prestar solidariedade, hipotecar apoio, etc... Foram obrigados a ouvir um educado sermão. No uso da palavra, o sempre educado professor Daibem, assim se pronunciou:

- Olha... nós agradecemos muito o apoio recebido da sociedade civil organizada e se vocês conhecerem quem anda pixando os muros... solicitamos para que parem com isso... pois o Padre Zézinho determinou que pintássemos o muro aqui da frente que vocês pixaram... digo, que alguém pixou esta madrugada, e o valor pago pelo serviço desfalcou nosso “Fundo de Greve”.

Os apoiadores presentes se entreolharam no plenário e, pela primeira vez, uma assembléia silenciosa de pixadores determinou o encerramento da prática. Saímos de lá... ops... saíram de lá e foram tomar um suco de cevada espumante lá no Genera’s Bar, onde o “repressor” Isaias foi exaustivamente criticado...

Contada por Antonio Pedroso Júnior