São Paulo - O Ministério Público (MP) acusa a advogada Carla Cepollina, 40 anos, de ter matado por vingança o coronel da reserva da Polícia Militar (PM) e deputado estadual Ubiratan Guimarães, 63 anos.
A Promotoria denunciou (acusou formalmente) ontem à Justiça a advogada de ter atirado no peito e matado, em setembro, o homem que comandou a operação na qual 111 presos morreram na Casa de Detenção do Carandiru, em 1992.
Após analisar o inquérito policial, o promotor Luiz Fernando Vaggione concluiu que Carla matou o coronel porque o relacionamento estaria em crise e ele havia decidido terminá-lo. O casal teria discutido na noite do crime após Ubiratan saber que ela havia mexido em seu celular e, se fazendo passar por ele, teria enviado uma mensagem de texto à delegada federal Renata Madi enquanto dormia.
Ao descobrir o que Carla havia feito, os dois discutiram. O coronel, segundo o MP, havia decidido terminar o namoro, enquanto a advogada manifestava interesse em se casar com ele. “Ela cometeu o crime por vingança ao ser rejeitada”, disse o promotor. Vaggione atribui como agravantes do crime o motivo torpe (vingança) e a dificuldade de defesa da vítima.
A denúncia foi encaminhada anteontem ao juiz Alberto Anderson Filho, presidente do Tribunal do Júri de São Paulo. Ele ficará encarregado de acatar ou não a decisão da Promotoria, para, então, abrir um processo criminal contra Carla, que passaria a ser ré. Se o juiz aceitar a denúncia, o julgamento deve ocorrer no prazo de 12 a 18 meses. Se condenada, a advogada pode pegar de 12 a 30 anos de prisão com agravante de um terço da pena por conta da vítima ter mais de 60 anos.
Vaggione irá solicitar ao juiz que peça à indiciada o recolhimento de seu passaporte italiano. Como tem dupla cidadania, Carla possuiu dois passaportes, mas entregou apenas o brasileiro à polícia. “Se ela sair do País, é uma confissão. Vou pedir que ela entregue o passaporte no prazo de 48 horas. Senão, será feito o pedido de prisão.”
Bate-boca
“A senhora e sua filha se acham arrogantemente acima da lei. A senhora é uma cidadã como qualquer outra pessoa”, disse ontem o promotor ao discutir com a advogada Liliana Prinzivalli, mãe de Carla Cepollina, durante uma entrevista coletiva concedida no fórum da Barra Funda (zona oeste de São Paulo).
Durante a entrevista, a advogada interrompeu o promotor diversas vezes. Em alguns instantes, ele próprio aderiu às provocações. Prinzivalli questionou Vaggione as provas contra Cepollina apresentadas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Logo que chegou, a advogada disse que foi ao fórum para saber do promotor “se ele descobriu quem matou o coronel”. “Evidentemente não foi a Carla. Não haverá provas em seis meses, um ano, cem anos”, disse Prinzivalli antes do início da coletiva.
A advogada questionou se o promotor tinha “algum motivo especial” para denunciar sua filha. “São 1.200 páginas contra sua filha. Se eu fosse a senhora eu diria para sua filha, como advogada, para que ela confessasse, o que já deveria ter feito. Isso iria poupá-la de tudo aquilo que ela está passando”, respondeu Vaggione.
Em duas abordagens de Prinzivalli, Vaggione a chamou de Carla. Ele pediu que a advogada fizesse uma petição para que ele a atendesse separadamente, mas ela permaneceu no auditório. “Eu sou do povo, sou uma pessoa comum, normal e tenho direito de perguntar a uma autoridade”, disse Prinzivalli ao promotor quando ele encerrou a coletiva.