São Paulo - Mais de 5 mil dos 6.500 médicos residentes do Estado de São Paulo entraram em greve anteontem, intensificando a paralisação nacional da categoria deflagrada na semana passada em busca de aumento no valor das bolsas de pagamento. Nos principais hospitais da capital paulista, eram atendidos apenas casos de urgência e emergência ou com hora marcada.
À tarde, residentes de São Paulo reuniram-se com a Secretaria do Estado da Saúde. A pasta assumiu o compromisso de manter as vagas pagas pelo Estado, mas afirmou que a Lei de Responsabilidade Fiscal impossibilita aumento a qualquer funcionário nos oito meses anteriores à troca de mandato.
A paralisação em âmbito nacional teve início no dia 1 e, conforme a Associação Nacional dos Médicos Residentes, teve adesão de cerca de 80% dos 17 mil residentes do País. Eles reivindicam aumento de 53,7% no piso da bolsa, hoje de R$ 1.470,00 para 60 horas semanais.
Os ministérios da Educação - que define o valor do piso - e da Saúde enviaram anteontem à Casa Civil da Presidência um projeto de lei que define o reajuste em 30%. Os ministérios disseram considerar legítima a demanda, já que a categoria não tem aumento há cinco anos.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo também legitimou as reivindicações, mas alertou para a necessidade de manter os atendimentos de urgência. A situação na capital paulista era complicada. Após 15 horas de espera, a dona-de-casa Erilena Santos, reclamava no Hospital São Paulo, na zona sul. “Estou ouvindo desde as 8h para esperar mais dez minutos. Já são 13h30.”