Durante um quadro de culinária com um pizzaiolo italiano, Eduardo Guedes não tirava os olhos do profissional. Não demorou para desviar a “conversa” para Britto Jr. e jogar o principal ingrediente do prato no jornalista, mas acabou acertando Ana Hickmann. Foi o suficiente para uma guerra de farinha ocupar o “Hoje em Dia”.
O telespectador desatento pode ter estranhado a cena, que foi ao ar na segunda. Porém, a fiel audiência fez o de sempre: gargalhou com as trapalhadas. Abusando de uma fórmula que mistura jornalismo, entretenimento e humor, a atração cresce no Ibope - em agosto de 2005, quando estreou, tinha média de 3 pontos; no mês passado chegou a registrar média de 5 pontos.
O programa chega a incomodar o Globo e a SBT nos momentos de pico. No mês passado, ficou 51 minutos na liderança ao exibir um jogo de futebol com Guedes e Britto Jr.. A variedade nos quadros se tornou atração principal no “Hoje em Dia”. E sinônimo de sucesso são as atrações com prêmios em dinheiro. Também em outubro, o “Bolsa da Ana” - onde um popular tinha de adivinhar o que a modelo guardava no acessório, rendeu R$ 9,3 mil ao participante e, mais uma vez, rendeu primeiro lugar com pico de 9 pontos.
“A premiação é um recurso para conquistar audiência”, revela o diretor do programa, Vildomar Batista, ex-SBT. A influência no show da “escola Silvio Santos”, que tem como um dos bordões “quem quer dinheiro”, fica cada vez mais evidente. Não apenas por Batista ser ex-funcionário do “patrão”, mas também porque é umas das inspirações de Britto Jr.
“Ele é uma referência para qualquer apresentador”, fala, sem perder a oportunidade de imitar o mestre. “O programa perdeu a cara de ‘tiazinha’. Quando foi lançado, todo mundo comparava ao ‘TV Mulher’ (feminino exibido nos anos 80 na Globo), mas avisamos que queríamos fazer uma coisa diferente e fizemos”, diz Ana. “Oferecemos opções para todas as idades”, completa Guedes.