O JC teve acesso a um documento que circulou de forma restrita entre setores da Polícia Militar que associa a criação do Adicional Operacional de Localidade (AOL) ao clima de insegurança pública em todo o Estado de São Paulo.
O documento, assinado por Hélio César da Silva, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar, e datado de 10 de abril último, faz duras críticas ao adicional. Em um trecho, o texto reforça o argumento do risco de quebra de hierarquia, levantando pelo major Sérgio Olímpio Gomes, diretor de assuntos institucionais da Associação dos Oficiais da PM.
“O pior é o soldado PM de São José do Rio Preto ganhar mais que o sargento de Fernandópolis. Alguns acham isso natural. Todavia, isto contraria os princípios basilares da hierarquia, a qual faz parte da política organizacional da empresa”.
Em outro trecho, o texto insinua que o AOL vai desmotivar os policiais a buscarem avanços na carreira. “Para que estudar? Para quê formação profissional e sacrifício familiar? É melhor continuar a ser soldado PM em São Paulo, arrumar um ‘bico de segurança’ para ter um padrão de vida de capitão, sem nenhum sacrifício intelectual e de formação profissional”, critica.
O documento elaborado por Silva também faz referência à relatividade do índice de criminalidade e da violência serem maiores em grandes centros urbanos em comparação a cidades menores. Essa relatividade ficou bastante explícita nos dados publicados pelo JC, na edição de 31 de outubro último, quando se constatou um aumento da criminalidade em Agudos, Lençóis Paulista e Pederneiras, localidades que juntas possuem cerca de 135 mil habitantes, enquanto que Bauru possui mais de 350 mil.
“Ficou claro recentemente com as rebeliões em Iperó, Jundiaí, Franco da Rocha, Mauá, entre outras, que há muitos municípios pequenos onde o índice criminal é muito maior que o índice dos municípios maiores”, frisa o documento.
A Associação também se diz contrária à gratificação e adicional. “Eles não são incidentes ao reajuste salarial que venha a ser concedido, não incorpora nos vencimentos quando o policial passa para a inatividade, chegando ao absurdo de que o soldado PM perde mais de 50% dos vencimentos ao ser inativo, servindo nas cidades com mais de 500 mil habitantes”.