Os funcionários do bazar da Vila Vicentina - Abrigo para Idosos receberam uma doação incomum, ontem. Um revólver calibre 32 descarregado, intacto e sem numeração raspada, foi encontrado em meio à roupas enviadas para a entidade. De acordo com a vice-presidente da Vila Vicentina, Maria Monteiro, que também é responsável pelo bazar da instituição, a descoberta gerou insegurança nos funcionários. “Ficamos apavorados no momento. Não sabemos de onde veio e qual a real intenção da pessoa que fez isso”, revela. Maria acredita que a arma pode ter sido “doada” por engano. “Eu penso que alguma pessoa reuniu objetos particulares de um parente que tenha falecidos e, sem prestar atenção, tenha colocado a arma junto. Mas isso não dá para saber”, afirma. Outra hipótese levantada pela vice-presidente seria o descarte da arma por algum criminoso. “Pode ser também que alguém tenha cometido algum crime e quis se desfazer do revólver. Mas acho isso muito difícil”, diz Maria, que está à frente do bazar da Vila Vicentina há seis meses e afirma nunca ter se deparado com uma “doação” como esta. Segundo Maria, não seria possível localizar o autor da doação. “As pessoas ligam para a gente e avisam que têm objetos para doação. Ontem (anteontem), nossos funcionários foram a cinco pontos diferentes e, como nada parecido havia acontecido, não é feito um controle rígido”, explica. Para o delegado Abel Cortez, titular do 4.º Distrito Policial (DP), a hipótese de que algum criminoso tenha “desovado” o revólver é improvável. Ele acredita que o incidente tenha acontecido, realmente, por engano, já que nenhum número da arma havia sido raspado.
Doações inúteis
Foi a primeira vez que os funcionários da Vila Vicentina se depararam com revólver durante a triagem das doações. No entanto, é comum objetos pessoais serem encontrados em meio a roupas ou mesmo dentro de móveis usados. De acordo com Maria, corriqueiramente doadores se desfazem literalmente de todos os pertences de uma parente, principalmente após sua morte. “É comum encontrarmos álbuns fotográficos, até mesmo de casamento, dentaduras e diversos tipos de objetos pessoais”, revela. A vice-presidente da instituição acredita que a atitude seja uma espécie de escape psicológico. “Geralmente, quando algum parente morre, seus familiares ficam com peso na consciência e preferem não jogar os pertences fora. Doando, acredito que esse sentimento deve ser amenizado”, afirma. No entanto, se a intenção é doar pertences particulares para que outra pessoa possa utilizar, a atitude não é a correta. “Não temos como vender uma dentadura, ou mesmo um álbum fotográfico. Eles não têm valor comercial. Então somos obrigados a descartar esses objetos”, revela a vice-presidente da Vila Vicentina. ()