08 de julho de 2026
Bairros

Morre mulher com leishmaniose

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O índice de letalidade da leishmaniose visceral, que estava em queda, voltou a subir em Bauru. No início da semana, a doença causou a morte de um bebê de 5 meses no Jardim Vitória e anteontem uma mulher de 46 anos, moradora do Jardim Ouro Verde, que além de uma doença infecciosa também tinha leishmaniose, não resistiu. Neste ano foram registrados 52 casos da doença em Bauru e três mortes, o que representa 5,76% de letalidade. Em 2005, foram 36 casos, com quatro mortes - índice de letalidade de 16,66%. Por questões éticas, a Secretaria Municipal de Saúde não divulgou a doença que a mulher já tinha, mas informou que a leishmaniose foi diagnosticada no último dia 6 e o tratamento foi iniciado no dia seguinte. Dentre os exames solicitados pela equipe médica durante a internação, foi colhido o mielograma, que apontou a existência da leishmaniose. Outros exames realizados confirmaram a existência de uma doença infecciosa de base, que, somada à leishmaniose, agravou o quadro infeccioso, levando a paciente à morte. “A leishmaniose foi um dos fatores da morte. Ela morreu com leishmaniose, não somente de leishmaniose”, ressalta o secretário de Saúde, Mário Ramos. O DSC ainda aguarda a confirmação do diagnóstico de leishmaniose por parte do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, mas o caso foi contabilizado nas estatísticas de 2006 a partir dos exames preliminares já realizados. No Estado de São Paulo, Bauru é um dos municípios com maior incidência da doença (veja quadro ao lado). A estatística do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde, que foi atualizado no início de setembro, apontava Bauru com o maior número de casos da doença no Estado, à frente de Araçatuba, cidade que há anos sofre com a epidemia. Ramos admite que o fato de ocorrer duas mortes na semana relacionada à doença transmitida pelo mosquito-palha, que se procria em material em decomposição, preocupa. Porém, ele pondera que o índice de letalidade ainda está menor que o de 2005. Daniel dos Santos Souza, presidente da Associação de Moradores do Jardim Ouro Verde, não sabia da morte no bairro, mas conta que na rua em que mora quatro cães foram apreendidos.

“Um deles estava perdendo pêlo (um dos sintomas da leishmaniose em cães)”, relata. Ao saber da morte de uma moradora do bairro que estava com a doença, ele ficou preocupado e se propôs a tentar formar um grupo para orientar os moradores a manterem seus quintais limpos. Entre humanos, não foram encontrados mais casos suspeitos no Jardim Vitória e Jardim Ouro Verde. Mário Ramos ressalta, ainda, que a doença tem um período de incubação longo, de dois anos. Portanto, pessoas que estão sendo diagnosticadas agora podem ter sido picadas pelo mosquito infectado há bastante tempo. “Em Araçatuba, os resultados dos trabalhos ambientais começaram a aparecer depois de quatro anos”, completa.

Região oeste

O fato de as duas últimas vítimas fatais serem de bairros próximos, na zona oeste, aponta que a infestação do mosquito-palha na região é alta. “A doença está ligada a problemas ambientais e questões socio-econômicas. No trabalho de combate à doença no Jardim Vitória, verificamos isso. Falta conscientização à população quanto ao lixo, falta higiene. E na região do Jardim Ouro Verde, tem muitos quintais com árvores frutíferas que podem estar sendo criadouros do mosquito”, explica Mário Ramos, secretário de Saúde. Nos dois bairros, afirma o secretário, equipes de saúde estão terminando a orientação à população quanto à eliminação de criadouros do mosquito transmissor de leishmaniose. Também apreenderam cães com sintomas da doença para a eutanásia e coletaram sangue de outros. (IR)