08 de julho de 2026
Nacional

Duda Mendonça recebe alta e deixa hospital em SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - O publicitário Duda Mendonça, que passou por uma cirurgia de revascularização do miocárdio, recebeu alta do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, anteontem à tarde. Segundo informações da assessoria do hospital, Duda pediu para que a imprensa não fosse avisada, para evitar tumulto na saída do local. A cirurgia, realizada no dia 1, foi indicada após diagnóstico de lesões de artérias coronárias sem lesão miocárdica ou infarto. O publicitário esteve sob os cuidados do cardiologista Roberto Kalil Filho e do cirurgião cardiovascular Fábio Jatene. Duda estava em Salvador quando começou a sentir fortes dores no peito. Levado a um hospital, ele passou por um cateterismo. A opção de Duda e da família foi viajar para São Paulo para fazer a cirurgia. De acordo com o cardiologista Roberto Kalil, o publicitário não sofreu infarto pois não houve fechamento de artéria. O publicitário, um dos principais “marqueteiros” do País para campanhas eleitorais, ganhou fama também por seu envolvimento com um dos principais escândalos políticos do país em anos recentes: o episódio do “mensalão”. Em agosto de 2005, Duda Mendonça admitiu à CPI dos Correios que foi pago pelo PT por serviços prestados na campanha de 2002 por meio de caixa dois. Segundo o depoimento de Duda à CPI, houve uma longa negociação com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para receber os valores, da ordem de R$ 10 milhões. O PT protelava o pagamento. Até que se definiu pelos depósitos ilegais, por meio de caixa dois, na empresa offshore das Bahamas. O depoimento do publicitário caiu como uma bomba no meio político. À época, chegou-se a especular que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corria o risco de ser acusado de crime eleitoral. No limite, especularam juristas ouvidos pela "Folha", Lula ainda poderia sofrer processo de impeachment e responder a ação penal por prevaricação.

“Mensalão” tucano

O nome de Duda Mendonça também apareceu nas investigações sobre a campanha ao governo de Minas de Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Ele teria ganho ganho R$ 3,8 milhões “por fora”, também por meio de empréstimos do empresário Marcos Valério. Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha, reconheceu que a campanha de Azeredo custou R$ 20 milhões, dos quais apenas R$ 8,5 milhões foram declarados à Justiça Eleitoral. Afirmou que o dinheiro do caixa dois teve origem em empréstimos obtidos por Valério no Banco Rural. Mourão disse ainda que o pagamento de R$ 3,8 milhões a Duda Mendonça - o valor total do serviço foi de R$ 4,5 milhões - foi feito de “maneira não-oficial” a pedido do publicitário. Afirmou que os repasses a Duda foram feitos, em espécie, por Valério. Em outubro de 2004, durante as eleições municipais, Duda Mendonça, responsável pela campanha do PT em São Paulo, foi preso em flagrante na noite durante uma operação da Polícia Federal de repressão às rinhas de galo num sítio entre Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a PF, mais de 200 pessoas estavam no local, entre elas o vereador reeleito no Rio pelo PT, Jorge Babu. Foram encontrados R$ 8.000,00 em dinheiro e vários cheques em branco. O ingresso para participar, nesta noite, custava R$ 50,00. O volume médio de apostas por luta é de R$ 50 mil. Segundo o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Antonio Carlos Rayol, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph), Duda Mendonça declarou ser sócio do local. O delegado disse que a operação foi motivada por denúncias de órgãos de defesa dos animais. O escândalo do “mensalão” e a rinha de galo não foram os últimos episódios obscuros em que o publicitário foi envolvido. No início deste ano, o Ministério Público Federal na Paraíba elaborou ação para investigar suposto contrato informal de R$ 800 mil entre a ex-prefeita de Campina Grande Cozete Barbosa (PT) e a agência de Duda. Segundo a ação, o dinheiro foi transferido dos cofres municipais à agência de propaganda sem que houvesse contrato formal. A denúncia foi feita no ano passado pela ex-secretária das Finanças de Campina Grande Aleni Rodrigues de Oliveira. Segundo sua versão, esse contrato foi acertado no início de 2003 para serviços de mudança do logotipo da prefeitura e de assessoria para melhoria da imagem da prefeita. Segundo a denunciante, o dinheiro para o pagamento saía dos cofres da prefeitura, em parcelas de R$ 80 mil. ()