São Paulo - Uma nova confusão da família do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, com agressões físicas entre ele e o filho, Vitor, e troca de acusações com a ex-mulher, Nicéia Camargo, acabou na delegacia esta semana. As versões das duas partes registradas no 78.º DP, Pitta de um lado e Nicéia e Vitor de outro, são conflitantes. Como o registro policial foi de agressão, a delegada Elisabeth Sato só vai abrir inquérito se um deles protocolar uma representação. Pitta foi primeiro ao DP. Disse que Vitor havia ido ao seu escritório, em Moema, e levado uma pasta com documentos, R$ 2.500,00 e uma calculadora. O ex-prefeito disse que, após receber um telefonema de sua secretária, foi ao prédio onde Vitor e Nicéia moram, nos Jardins, para tentar pegar a pasta. “Quando Vitor chegou de carro, vi a pasta no banco do passageiro, mas ele me agrediu, deixou o veículo na rua e fugiu com a pasta para o apartamento”, relata o ex-prefeito. Nicéia tem uma versão totalmente diferente e afirmou que Vitor não está em condições de falar sobre o caso. A ex-primeira-dama diz que, na semana passada, Pitta ligou para Vitor para marcar um encontro. Ainda segundo ela, no escritório, Pitta pediu ao filho que persuadisse a mãe a ligar para o investidor Naji Nahas, “que tinha medo dela”, e o convencesse a devolver US$ 5 milhões (cerca de R$ 11 milhões) que seriam dele. Se obtivesse sucesso, Nicéia poderia pegar metade. “Meu filho sabe que eu jamais faria uma coisa dessas. Ele discutiu com o pai, pegou o carro e veio para casa, mas antes passou em outro lugar.” Na versão de Nicéia, ao chegar ao prédio, Pitta estava dentro da garagem à espera de Vitor, para agredi-lo. “Ele foi para cima, mas meu filho se desvencilhou, pegou uma pasta que estava no chão e subiu". A pasta foi devolvida a Pitta na terça-feira. Ele diz que sumiram do escritório vários papéis, como notas fiscais e trabalhos de consultoria que faz. Hoje, Nicéia disse que ficou com documentos que comprovariam que Pitta teria participado de esquemas de corrupção. “Vou entregar às autoridades competentes”, afirmou. Pitta diz nada temer. “Se tivesse medo de alguma coisa, teria me dirigido à polícia para registrar ocorrência?”, questiona. Para o ex-prefeito, Nicéia tramou com o filho uma forma de retirar do escritório documentos que pudessem comprometê-lo. “Ela sabe que está perdendo a ação que movo na Justiça para deixar de pagar a pensão alimentícia a ela. Se conseguisse algo, talvez pudesse me pressionar a desistir da ação.” Pitta teve os direitos políticos cassados por cinco anos pela Câmara, que rejeitou as contas de 1999 da prefeitura. ()