10 de julho de 2026
Internacional

Bush apressa votações antes do novo Congresso

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - O presidente George W. Bush quer submeter às pressas ao atual Congresso, em que os republicanos ainda são majoritários, projetos como o que legalizaria a escuta telefônica e o rastreamento de e-mails sem autorização judicial. Os deputados e uma parte dos senadores terminam a atual legislatura em dezembro. Nas eleições da última terça os republicanos perderam a maioria na Câmara e no Senado. A Casa Branca terá maiores dificuldades em aprovar suas leis. Bush também quer aprovar a indicação de John Bolton como embaixador americano nas Nações Unidas e a nomeação de Robert Gates, sucessor de Donald Rumsfeld no Pentágono. A aprovação de Gates deverá ser a única iniciativa bem-sucedida nesse curto período de sessões. A escuta telefônica e o caso de Bolton - nomeado por decreto no recesso parlamentar do verão de 2005 - são bem mais problemáticos. A existência da espionagem telefônica e de mensagens eletrônicas foi revelada pelo “New York Times”. A Agência de Segurança Nacional rastreava comunicações domésticas e aquelas de assinantes de telefone ou internautas americanos com algum estrangeiro. O argumento de Bush era de que se tratava de uma ferramenta para monitorar o terrorismo, embora, como lembrou ontem o jornal que descobriu o mecanismo, o governo não fornecesse nenhuma prova de que “a ultrajante” iniciativa se associava à prevenção de um novo ataque de 11 de Setembro. O vice-presidente Dick Cheney e o senador republicano Arlen Specter, que preside até dezembro a Comissão de Justiça do Senado, redigiram um projeto que daria amparo legal a essa forma de espionagem. Mas o próprio Specter afirmou quarta-feira que as eleições provocaram “um terremoto dentro do Senado” e que as dificuldades para votar apressadamente o projeto de lei seriam agora bem maiores. Quanto a Bolton, sua reputação de unilateralista não se confirmou dentro da ONU. Mas no Senado a atual bancada democrata e alguns republicanos o consideram um diplomata no mínimo problemático. Ele foi acusado de mentir sobre a venda de urânio africano a Saddam Hussein, que nunca aconteceu, e tornou-se um adversário dos senadores democratas, que no ano passado obstruíram os trabalhos em plenário para que seu nome não fosse votado. Com o decreto, Bush atropelou a oposição. A Casa Branca contava agora com senador republicano Lincoln Chafee para levar adiante a aprovação. Mas Chafee disse que o quadro mudou depois de terça, e que não se poderia ignorara opinião dos americanos. ()