O filme pode não ter faturado tanto quanto a Warner Bros. esperava, mas “Superman – O Retorno” é a reabertura de uma das franquias mais lucrativas do cinema – e um bom filme, sem dúvida alguma. O longa acaba de chegar às lojas e locadoras em DVD duplo com mais de três horas de material extra, entre documentários, cenas excluídas e estendidas, trailers, entrevistas e muito mais. Além disso, a Warner lança uma caixa com os cinco filmes da série também em DVDs especiais.
Com direção de Bryan Singer (“X-Men”, “X-Men 2” e “Os Suspeitos”), o filme é uma espécie de seqüência de “Superman 2 – A Aventura Continua” (1980), deixando de lado os dois longas posteriores. Na história, Kal-El – ou Clark Kent (Brandon Routh) – volta à Terra depois de uma busca de cinco anos por seu planeta natal, Krypton. A situação em Metrópolis está bem diferente desde que o Homem de Aço partiu – a cidade parece ter se acostumado a viver sem ele. Além disso, Lois Lane (Kate Bosworth), grande paixão do herói, seguiu com sua vida, casou e teve um filho.
Ao mesmo tempo em que busca se adaptar e encarar o desprezo de Lois, o Superman será confrontado mais uma vez por Lex Luthor (Kevin Spacey), que descobriu a Fortaleza da Solidão, onde o herói guarda as lembranças que trouxe de Krypton, e roubou os cristais alienígenas que podem destruir a Terra se forem utilizados de forma incorreta.
“Superman – O Retorno” foi criticado pela falta de ação adrenalinada como a que recheia os longas do Homem-Aranha, por exemplo. A aposta de Singer, que reestabeleceu o gênero de “filmes de quadrinhos” com os dois primeiros “X-Men”, foi de respeitar o passado e a história de um personagem icônico. Pergunte a fãs de HQs qual o melhor filme do gênero e a resposta, pelo menos dos mais velhos, será “Superman – O Filme” (1978).
O diretor descartou todos os roteiros produzidos pelo estúdio nos últimos anos, incluindo idéias estapafúrdias ou adaptações da morte e renascimento do herói (eventos que sacudiram o mercado dos quadrinhos na década de 1990) e voltou-se aos temas mais fortes e adultos dos dois primeiros filmes. Assim, ganha destaque, até mesmo sobre a ação, a história de amor entre Lois e o Superman – que, desde sua origem, nunca teve conflitos grandiosos de identidade, de aceitação ou vingança, como enfrentam o Homem-Aranha, os X-Men e Batman.
Prevalece, de qualquer forma, o aspecto visual do filme, que foi inteiramente captado com câmeras digitais experimentais, o design da produção e os efeitos especiais. Os tons e figurinos oferecem um clima quase retrô, que funciona perfeitamente para a história.
Foi bem-sucedida também a escolha do elenco. Brandon Routh e Kate Bosworth seguram com firmeza papéis que definiram as carreiras de Christopher Reeve e Margot Kidder. Se o diretor foi criticado, anteriormente, por escolher Routh para o papel do herói, sua primeira cena no filme explica a razão: a semelhança com Reeve e a atuação firme, até mesmo nos momentos cômicos de Clark Kent. O talentoso Kevin Spacey, que interpreta Luthor, nem é preciso elogiar.
Material Especial
O grande destaque do material adicional do DVD é “Requiem para Krypton: Making of de ‘Superman – O Retorno’”. O documentário é dividido em cinco partes, que percorrem dos primeiros problemas da adaptação, ainda em 2004, quando Singer tomou o projeto para si, a dispensa de roteiros já finalizados, a escolha do elenco, construção de cenários, as filmagens, edição, efeitos especiais à finalização do longa. Nos especiais, Guy Dyas, responsável pelo design de produção, afirma que os sets de “Superman” são duas vezes maiores do que os feitos para “X-Men 2”, e o diretor confirma, dizendo que tudo é “maior” no projeto. Uma das cenas mais engraçadas é a de Kevin Spacey em seu carrinho de golf para percorrer o set com um adesivo “anti-Superman” e um boneco do herói amarrado atrás, gritando “Superman deve morrer!”. Os extras ainda explicam como Jor-El, interpretado por Marlon Brando no primeiro filme, foi ressuscitado para o novo filme, e tem diversas cenas excluídas da edição final. (DM)