09 de julho de 2026
Geral

Procura-se profissional especializado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

De gerente e programador a auxiliar de cozinha, o Jornal da Cidade apurou quais são algumas das profissões mais procuradas pelo mercado de trabalho em Bauru. São cargos que demoram a ser preenchidos por causa da falta de mão-de-obra especializada. A dificuldade fica ainda maior quando as empresas precisam de profissionais com experiência. Neste caso, o trabalhador vira uma espécie ainda mais rara no mercado, e quando é encontrado é “caçado a laço”.

Um levantamento feito com algumas empresas e cinco agências de recursos humanos da cidade mostrou que os “passes” mais valorizado hoje em dia, para usar uma linguagem futebolística, são os de gerentes, supervisores, programadores e mecânicos de manutenção.

As agências citaram também outras profissões como eletricista, contabilista, farmacêutico, auxiliar de cozinha, técnico agrícola e até salva-vidas entre aquelas que ficam mais tempo em aberto por falta de profissionais. E não é por falta de cursos, que Bauru sofre com essa carência. Todos os anos, escolas técnicas e faculdades formam vários grupos de profissionais nessas áreas.

Um dos cargos mais difíceis de preencher, segundo as agências de RH, é o de programador. São poucos os profissionais disponíveis no mercado que dominam linguagem de programação como PHP, Delphi, Java, SQL e outras. Entre os que existem, a maioria está empregada.

A procura por esses profissionais é motivada pelo desejo das empresas de se modernizarem eletronicamente. Entre as funções dos programadores, estão a criação de páginas na Internet e a montagem de um banco de dados capaz de abastecer essas páginas. Segundo as agências, todas as empresas querem se mostrar na web e para isso precisam de um profissional especialista na área.

O programador Marco Aurélio Antunes diz que essa não é uma dificuldade apenas local. Segundo ele, faltam profissionais também em outras cidades do mesmo porte de Bauru ou até maiores. Marco Aurélio trabalha como autônomo no desenvolvimento de sistemas. De acordo com ele, quem trabalha no ramo “está fazendo a festa”.

Renata Caputo, analista de RH da agência VH Brasil, lembra que outra grande dificuldade é encontrar programadores que saibam linguagem já ultrapassada, mas que ainda são utilizadas por algumas empresas, como o DataFlex, por exemplo. “Além de candidatos de Bauru, precisei fazer entrevista com pessoas de outras cidades para encontrar alguém que soubesse trabalhar com DataFlex”, comenta.

Renata cita ainda os cargos de gerente e supervisor como outros dois que têm uma certa dificuldade em ser preenchidos. Segundo ela, para ocupar essas funções as empresas estão atrás de profissionais com formação superior. Em alguns casos, a graduação já não está bastando. É preciso um curso de pós, como complemento.

Encontrar profissionais que trabalham com manutenção em geral, como mecânicos e eletricistas, também não é tarefa fácil. O Senai oferece cursos nessas áreas, mas para a gerente da unidade Gelre em Bauru, Gabriela Casério, a quantidade de alunos que a escola forma todos os anos não está sendo suficiente para atender a demanda.

São 32 alunos por turma nos cursos técnico em manutenção de sistemas eletromecânicos, mecânico de usinagem e eletricista de manutenção.

Gabriela diz que recentemente teve sérias dificuldades para selecionar candidatos para cargos de estagiários de nível técnico. Segundo ela, preencher as vagas disponíveis deu trabalho. “Entrevistei quase 20 candidatos e nenhum passou no teste”, revela. A principal deficiência, na avaliação dela, é a falta de conhecimento básico na área de informática.

“Mão-de-obra existe e está sobrando em Bauru. O que falta é profissional qualificado”, resume a psicóloga Sílvia Mello Barduzzi, gerente da Barduzzi Recursos Humanos.

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Dificuldade

Duas grandes empresas de Bauru confirmam a dificuldade em encontrar certos profissionais no mercado, especialmente trabalhadores com experiência.

A Tilibra, por exemplo, embora não tenha uma rotatividade muito grande de funcionários, revela que sempre encontra dificuldade para contratar técnicos na área de eletrônica e mecânica. Mas não só nessa área.

A chefe de recrutamento, seleção e treinamento da empresa, Sandra Mello, contou que há cerca de um ano precisou de um engenheiro de segurança do trabalho com formação superior e não foi fácil encontrar. Da mesma forma, a empresa teve dificuldade para achar um médico do trabalho com disponibilidade para 4 horas diárias de serviço e de profissionais da área de marketing que trabalham no desenvolvimento de produtos. “Nós vemos muita gente desempregada, mas dificilmente alguém com qualificação e experiência em alguma área”, comenta Sandra.

A Plasútil, por sua vez, teve de buscar fora de Bauru pessoas para ocupar cargos de gerência e supervisão. Trabalhador com experiência em ferramentaria também não tem sido fácil. “Os poucos que aparecem não atendem as nossas exigências”, fala Débora Bincoleto, analista de Recursos Humanos da empresa.

A Plasútil também não encontrou estagiário de informática que soubesse trabalhar com o sistema utilizado pela empresa.