09 de julho de 2026
Internacional

Cinco ministros xiitas renunciam

Folhapress
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Beirute - Os cinco ministros xiitas dos movimentos pró-sírios Hizbollah - grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano - e Amal se demitiram do governo, informou ontem a televisão libanesa. O chefe do bloco parlamentar do partido da milícia xiita, Mohammad Raad, confirmou as demissões. A renúncia dos ministros acontece depois do fracasso dos dirigentes libaneses em alcançar um acordo que permita formar um governo de unidade nacional, depois de uma semana de negociações. O Hizbollah xiita, apoiado pela Síria e o Irã e que tem dois dos 24 ministros que compõem o gabinete de governo libanês - dominado pelas forças anti-sírias - exige junto à pró-sírios e cristãos a formação de um governo de união nacional, no qual a oposição teria uma minoria de bloqueio. O movimento Amal, ao qual pertence o presidente do parlamento, Nabih Berri, também conta com dois ministros no governo. O quinto ministro que apresentou a demissão é um xiita ligado ao Hizbollah. O fracasso da rodada de negociações de ontem foi confirmado por políticos de ambos os lados da disputa. “Nós não alcançamos nenhum resultado e a sessão foi encerrada sem que fosse definida uma data para a próxima rodada de negociação”, disse Michel Aoun, líder da oposição cristã e aliado do Hizbollah. O Hizbollah, que afirmou ter vencido o conflito armado contra Israel encerrado em 14 de agosto último, lidera um movimento por mudanças no governo - hoje dominado por políticos anti-Síria do bloco majoritário no Parlamento. O partido, popular entre a grande comunidade muçulmana xiita do Líbano, ameaçou organizar protestos para exigir novas eleições parlamentares, a não ser que mais de seus aliados sejam incorporados ao gabinete de governo até meados de novembro.

Guerra

O Hizbollah acusa o primeiro-ministro, Fouad Siniora, de não o apoiar durante a guerra com Israel e de se aliar aos EUA e à Israel nas exigências desses dois países pelo desarmamento da guerrilha no Líbano. Israel e o Hizbollah estiveram em conflito armado do dia 12 de julho até o dia 14 de agosto, quando foi estabelecido um cessar-fogo. O estopim do conflito foi o seqüestro de dois soldados israelenses pelo Hizbollah - a ação deixou ainda oito soldados israelenses e dois membros do Hizbollah mortos. Durante 34 dias, Israel lançou ataques ao Líbano por terra, ar e mar. O Hizbollah também lançou foguetes (cerca de 4 mil) contra o território israelense.