08 de julho de 2026
Regional

Uma estação chamada Coronel Leite

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A fazenda do coronel Leite, como ficou conhecida, é atualmente a Noiva da Colina, no município de Borebi. Referência no cultivo do café na década de 50, a propriedade rural mereceu um ramal da ferrovia Sorocaba, tal o volume de produtos a serem transportados para o porto de Santos, de onde seguiam para várias partes do mundo.

A estação era movimentada e tinha um glamour típico da era do café. Da velha estação só resta um pedaço de concreto, nem os trilhos estão no mesmo lugar. “O coronel Leite era uma fazendeiro muito rico, tinha mais de sete fazendas, na época. Tinha muita influência junto ao governo. Ele foi compadre de minha avó e eu me lembro dele como o homem que andava de terno de linho branco todos os dias,” diz o ferroviário Virgínio Coneglian.

De acordo com o aposentado, o fazendeiro chegou a mandar fazer um filme sobre a Estação Coronel Leite. “No filme aparece o trem noturno na Estação de Agudos. Ele foi um dos fundadores ou o fundador do hospital de Agudos, por volta do ano de 1927.”

Para que o leitor tenha uma idéia do que era a fazenda do coronel Leite, o trabalhador rural Luiz Dias de Oliveira cita uma cidade de pequeno porte. “Na década de 50 e 60 moravam na propriedade cerca de 70 famílias. Tinha escola, farmácia com farmacêutico, tinha tudo o que uma pequena cidade tem.”

O aposentado Gabriel Pizani, 78 anos, ainda tem em sua mente a imagem da Estação Coronel Leite nos finais de semana. “No sábado e domingo a gente não tinha onde ir, então ia para lá.” Do coronel, o aposentado guarda boas imagens. “Ele era meu padrinho de batismo.”

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Com licença para passar

Com muito orgulho de ter participado do processo da expansão da ferrovia, Vergínio Coneglian relembra fatos olhando para uma plaquinha que ele afixou num pilar da garagem de sua casa a fim de garantir as lembranças. “Essa plaquinha da Rede Sorocabana tinha um bastão de uns 35 centímetro de comprimento com o sistema de uma chave na ponta para abrir umas caixinhas de madeira. Dentro das caixas tinha a licença para o trem partir das estações”, explica.

Essa placa licenciava a locomotiva a prosseguir até Borebi. “Lá havia outra peça dessas para autorizar a saída da locomotiva para a Estação Coronel Leite. Era usada pelos maquinistas.”

Outra lembrança que permeia os pensamentos do aposentado é da chegada da locomotiva 329, uma máquina a vapor fabricada na Alemanha. “Ela usava de 14 a 15 metros de lenha para chegar até Botucatu. Trabalhava efetiva aqui, só saia para lavar a caldeira em Botucatu. Puxava pedra da pedreira e depois ia para Bauru.”

Os horários dos trens ainda estão gravados na mente do seu Gino. “O trem passava aqui às 6h20 . Ele vinha de São Paulo e seguia para Bauru. Depois, tinha o passageiro às 7h20. Tinha um misto que vinha de Botucatu para Bauru, chegava por volta do meio-dia e retornava para Botucatu por volta das 16h. Aqui tinha o virador, local próprio para virar a locomotiva.”