Com ele é possível falar com os pais e amigos, enviar mensagens eletrônicas, curtir games, tirar fotos e até filmar. Além disso, possui relógio, despertador, agenda, calculadora e outros recursos. Estamos falando do celular, telefone móvel que virou moda entre as crianças. Para algumas, inclusive, é objeto indispensável no dia-a-dia, caso de Matheus Francisco Vargas, 9 anos, aluno da 3.ª série da escola municipal Santa Maria.
Ele gosta tanto de celular que tem dois aparelhos. Um deles é usado para fazer e receber ligações, e o outro é reservado somente para brincar com os joguinhos, um dos passatempos preferidos de Matheus. “Eu ganhei do meu tio e gosto de todos os jogos que tem nele”, diz. O outro aparelho, que tem tela colorida e também é decorado com adesivos, costuma ser usado para falar com os pais e amigos da escola, conta o menino, que também gosta de mandar torpedos (mensagens eletrônicas) e de mexer na agenda do celular.
Cuidadoso, ele conta que não deixa seus celulares jogados em qualquer canto e faz questão de carregar a bateria dos aparelhos sempre que necessário. Além disto, o garoto também toma alguns cuidados para não incomodar os outros quando precisa fazer uma ligação pelo celular. Matheus não “desgruda” do celular, mas pesar de levar o aparelho na mochila, não o deixa ligado quando está na sala de aula para não atrapalhar a professora e os colegas. “Só uso no intervalo.” Matheus revela que não “desgruda” dos celulares, que são pré-pagos, mas de vez em quando gasta mais créditos do que deveria.
Mariana Noronha Garcia, 11 anos, estudante da 5.ª série do colégio São Francisco de Assis, também tem um celular pré-pago. Ela conta que sua mãe costuma colocar um crédito de R$ 30,00 por mês, mas quando esta quantia acaba, liga a cobrar. “Faz um ano que tenho celular. Foi presente de aniversário.” Segundo ela, o telefone móvel é prático e necessário. “Eu gosto de celular. Às vezes acho que ele ‘enche o saco’ quando fica tocando e atrapalha os outros, mas é bom quando eu preciso falar com minha mãe ou com minhas amigas”, aponta.
Mariana conta que algumas vezes não leva o celular, mas quando isto acontece, sente falta do aparelho. “Uma vez fui ao balé e o orelhão estava quebrado. Aí pensei: Como vou ligar para minha mãe? E por sorte tinha levado o celular.” Assim como Matheus, a garota decorou seu aparelho. “Meu celular é preto e azul. Coloquei um chaveiro de gatinho e adesivo de florzinhas nele.” Mas ao contrário do menino, ela não é muito fã de joguinhos.
Isto não acontece com Lucas Fisher Fernandes da Costa, 7 anos, aluno da 1.ª série do colégio São José. O garoto adora curtir games no celular. “Os joguinhos que eu mais gosto são os de luta. Eles são rápidos, duram 1 minuto”, conta. Apesar de não ter o próprio celular, o estudante utiliza os celulares da mãe e da irmã, Camila. “Eu sei mexer em tudo, até na agenda da minha mãe”, revela.
“Ligo para minha avó, meu avô, papai, mamãe e amigos”, diz o garoto, que pediu o aparelho de presente de aniversário. “Acho que vou ganhar um celular quando eu fizer 8 anos. Vai ser no dia 31 de março.” Até lá, Lucas utiliza o celular da mãe e reforça que é preciso cuidar direitinho do aparelho para não conservá-lo. “Tem que carregar a bateria e tomar cuidado com o celular. Uma amiga minha perdeu e os pais disseram que não vão comprar outro. Porque é caro.”
Carolina dos Santos Mantovani, 6 anos, da 1.ª série da escola Jardim das Letras também tem consciência de que celular custa caro e não pode ser tratado como brinquedo. “Gosto muito de falar com minhas amigas pelo celular, mas não faço isto sempre porque gasta muito crédito”, diz. A mãe de Gabriel Rodrigues da Silva, 7 anos, do pré-3 da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Dorival Teixeira de Godoy, coloca crédito a cada três meses em seu celular. E o garoto economiza para poder fazer ligações quando precisa. Mas assim como Lucas, o que ele mais gosta é de jogar games no celular. Olívia Leitão Fernandes, 11 anos e aluna da 5.ª série do colégio COC Bauru, também gosta muito de conversar com as amigas pelo celular. Ela ganhou o aparelho ano passado e conta que o utiliza bastante. “Uso quando saio com minhas amigas ou vou a alguma festa de aniversário. Também falo com meus pais. Só não gosto muito de joguinhos”, diz. A menina conta que o celular já a ajudou em várias situações. “Estava passeando no shopping e me separei delas. Aí, uma ligou para a outra e nos achamos.” E quando estão reunidas, Olívia e suas amigas adoram tirar fotos. Com o celular, é claro. “Tenho várias guardadas”, diz.
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Celular não é brinquedo
O celular é uma boa forma de comunicação com outras pessoas, mas é preciso ter cuidado na hora de usá-lo para não atrapalhar ou incomodar os outros, explica a educadora e consultora de etiqueta social e profissional Glorinha Braga Hortolan.
De acordo com ela, além de ter cuidado para não estragar o aparelho, as crianças devem saber que celular não é sinônimo de brinquedo. Justamente por isto, é fundamental evitar usar o celular na sala de aula. “Na escola, o aluno deve deixar o aparelho desligado. Se ele tiver esperando uma ligação importante, precisa avisar a professora antes.”
Em relação aos games, o ideal é jogar somente durante o intervalo ou nas horas livres, como por exemplo, depois de fazer a lição de casa. “No médico, cinema e teatro o celular também ter que permanecer desligado”, reforça Glorinha.
Outra coisa importante é evitar gastar muito com a conta do celular, aponta Glorinha. “Celular custa dinheiro e quanto mais se fala, mais se gasta. E muitas vezes o pai e a mãe trabalharam duro para comprar o aparelho para a criança. Por isto ela deve economizar e não pode estragá-lo”, diz.