09 de julho de 2026
Bairros

Religiões usam site como instrumento de divulgação

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Entre as comunidades relacionadas a Bauru existentes no Orkut, as ligadas a grupos religiosos estão entre as mais comuns. No site de relacionamento é possível encontrar espaços dedicados a todo tipo de denominação: católicos romanos, evangélicos, espíritas, e assim por diante.

Sueli Matos e Ivo Leite são casados e trabalham como webdesigners. Os dois moram no Parque Santa Edwirges (região Noroeste de Bauru), mas costumam freqüentar missas na igreja de Santo Antônio (localizada no parque Bela Vista, zona oeste da cidade). Interessados em integrar os fiéis, dos dois resolveram criar no Orkut uma comunidade dedicada à paróquia.

“Aqui existem muitos grupos e diferentes horários de missa. Mesmo freqüentando a mesma igreja, muita gente não se conhece. Com o site, esperamos estabelecer uma união maior entre essas pessoas”, explica ela.

Movida por idéia semelhante, Neila Maria Almeida também decidiu criar uma comunidade no Orkut. Ela freqüenta reuniões do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) uma vez por semana. “Notei que os diferentes grupos não mantinham contato entre si”, explica Almeida.

Com a comunidade, além de integrar os membros do Ceac, ela pretende tornar conhecidas as obras de caridade desenvolvidas no local. Assim como os espíritas, fiéis de outros grupos religiosos também apostam no Orkut como instrumento de divulgação.

Donos de duas comunidades do gênero, Edir Nobre Jacovani, 25 anos, da Igreja do Avivamento Pleno, e David Wilson Macedo, 22 anos, da Igreja em Bauru, chegam a conferir ao site de relacionamentos o status de “ferramenta de evangelização”. “A Internet é um meio válido e rápido para se transmitir a Palavra de Deus”, acredita Macedo.

Para reforçar seus argumentos, ele usa como exemplo uma pregação que membros de sua religião de sua religião pretendem realizar em Bariri (56 quilômetros de Bauru). “Para fazer isso a gente vai ter de viajar até lá e depois ficar batendo de casa em casa. Pelo Orkut é tudo mais simples: basta criar um tópico de discussão na comunidade e pronto: pessoas do mundo todo terão acesso à mensagem”, coloca Macedo.

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Coroinha

Algumas vezes a combinação Orkut-Igreja pode gerar resultados um tanto incomuns. Em Bauru existe uma comunidade voltada apenas para os coroinhas. O autor da idéia é estudante Vinícius Trombini Martins, 19 anos (foto). Por enquanto, ele conseguiu reunir somente 30 membros.

“Ainda não divulguei a comunidade direito, muitas pessoas ainda não estão sabendo que ela existe. Além disso, nem todas as paróquias de Bauru possuem coroinhas, e quando têm, a maioria é criança, que ainda não sabe usar computador direito”, acredita.

Martins foi coroinha na Paróquia de São Benedito (Vila Falcão) e deixou a batina há pouco tempo. Orgulhoso da função exercida por mais de seis anos (de 1999 a 2005), o estudante guarda até hoje as vestimentas que usava durante as cerimônias.

“Lá na paróquia, quem deixa de ser coroinha tem de devolver a batina. Mas no dia ir embora eu chorei bastante para o padre, e ele acabou permitindo que eu a levasse comigo”, diz.

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Comunidades de escolas atraem membros até no estrangeiro

Além das igrejas e dos bairros, as escolas de Bauru costumam ter bastante espaço no Orkut. Algumas comunidades relacionadas a instituições de ensino estão entre as maiores relacionadas à cidade. A dedicada à Escola Estadual “Stela Machado”, por exemplo, conta atualmente com cerca de 1.300 membros.

O criador da comunidade, Vinícius Trombini Martins, 19 anos, é antigo aluno da escola. Ele é membro do Orkut desde o site de relacionamento foi criado, há pouco mais de dois anos. “Foi bem no começo mesmo. Eu e um amigo recebemos um convite de um colega dele, que vivia nos Estados Unidos”, lembra.

Martins aproveitou esse “pioneirismo” para criar comunidades relacionadas a seus interesses. ”Fiz uma para escola onde estudei e outra para os coroinhas de Bauru”, diz (leia mais no texto abaixo). Mas o fato de o Orkut ser uma novidade entre os brasileiros acabou impedindo que os sites criados por ele pudessem progredir.

“Naquela época quase ninguém entrava para a comunidade. Costumava aparecer um novo membro a cada dois meses, mais ou menos”, recorda. Outra característica dos primeiros meses da site, era a grande presença de pessoas de outros países entre os participantes.

“Tinha muitos membros dos Estados Unidos, da Argentina... São pessoas que estudaram no Stela quando crianças e depois acabaram se mudando para o exterior”, explica Martins. A popularização do Orkut no Brasil fez com que crescesse a quantidade de membros da comunidade .

“Até o final do ano passado eu aprovava, em média, a entrada de três novos participante ao dia. Hoje esse número já cresceu para 15, pelo menos”, afirma Martins.