09 de julho de 2026
Regional

Greve de médico residente deve prejudicar atendimento no HC

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Se os médicos residentes do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) cumprirem a promessa e aderirem hoje à greve geral da categoria, os atendimentos aos pacientes na instituição serão seriamente prejudicados. Isso porque, dos 680 médicos atuantes no HC, 324 (ou 47,6% do total) são residentes e a Unesp estima que eles participam em cerca de 50% dos atendimentos realizados no hospital. No entanto, os atendimentos só não deverão ser afetados nessa proporção porque a coordenação da paralisação garante que 30 % dos residentes vão continuar, cumprindo a lei de greve sobre atividades públicas essenciais à população.

Os residentes reivindicam reajuste da bolsa-auxílio, atualmente em cerca de R$ 1.400,00 e que estaria defasada devido à inflação acumulada no período de 2002 até hoje. Eles querem aumento sem redução do número de vagas, além de melhores condições de trabalho. Eles aguardam a votação de um projeto de lei, ainda em tramitação na Câmara dos Deputados, que solicita elevação de 30% no valor da bolsa, fixando-a em R$ 1.916,45.

A representante da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Érica Vasques Trench, confirmou ontem à reportagem do JC que os residentes entrarão em greve hoje e explicou que os médicos só atenderão em esquema de plantão. “A idéia é atender como nos finais de semana, quando os profissionais ficam em plantões”, ressaltou. A decisão de ingressar na paralisação já havia sido estabelecida em assembléia realizada no último dia 6 pela associação da categoria no município, que representa 324 profissionais em exercício no hospital da instituição universitária.

Em matéria do JC publicada anteontem, a diretora-substituta da DIR-11 de Botucatu, Maria Terezinha Barrichelo Alves, destacou que apesar da promessa de 30% dos residentes respeitarem o trabalho de atendimento mínimo exigido pela lei durante a greve, a paralisação certamente deverá afetar os serviços prestados pelos profissionais, principalmente, nos ambulatórios de especialidades. “Não dá para mensurar, mas sempre prejudica um pouco porque nós temos um contingente de pessoas que estão atendendo e, de repente, não estão mais”, comentou na ocasião. E acrescentou: “O maior problema são os ambulatórios de especialidades. Os residentes são alunos de uma especialidade. Então, esses ambulatórios sentem mais com a greve.”

Na mesma reportagem, Alves sustentou que setores como o Pronto-Socorro (PS) e a enfermaria não devem ser tão atingidos pela greve quanto os ambulatórios. O motivo, segundo ela, é que o PS e a enfermaria contam com médicos contratados que não fazem parte da greve. A provável situação é confirmada também pela representante dos médicos residentes do HC. “Realmente não vamos atender nos ambulatórios, pois neles não há consultas de caráter emergenciais. Por isso, é possível sim que eles sejam os mais afetados mesmo pela greve”, enfatizou Trench, para depois complementar:

“Entretanto, o corpo médico continuará atendendo normalmente e, além disso, respeitaremos a legislação e o código de ética médica ao mantermos 30% dos profissionais em atendimento.”

Em comunicado à imprensa, a diretoria clínica do HC afirmou que vai adotar providências para garantir o atendimento de urgência e emergência à população. A diretora clínica do HC, professora Sumaia Inaty Smaira, reiterou, no ofício encaminhado para Diretoria Regional de Saúde (DIR 11), o objetivo de adotar soluções que reduzam ao mínimo os problemas que a falta dos médicos residentes possa causar aos usuários dos serviços do hospital.

Ainda conforme o comunicado, a direção diz ter adotado, em conjunto com a Supervisão do HC, todas as providências no sentido de garantir, prioritariamente, o atendimento aos pacientes nos casos de urgência e emergência durante a paralisação.

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Marília e Bauru

Em greve desde a última quarta-feira, os médicos residentes de Marília (100 quilômetros de Bauru) também continuarão a paralisação por tempo indeterminado. Segundo um dos integrantes do movimento, a adesão à greve atingiu cerca de 70% dos 108 profissionais da área. O término da greve, conforme noticiado recentemente pelo JC, dependerá das negociações que estão sendo feitas pela categoria em São Paulo.

Já em Bauru, a paralisação não trará prejuízos ao atendimento prestado pelo Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo”, instituição hospitalar que mantém médicos residentes. Isso porque, segundo a assessoria de imprensa do HE, os profissionais bauruenses não aderiram à greve. “E mesmo que tivessem ingressado na paralisação, não haveria conseqüências negativas porque o atendimento prestado pela instituição independe do trabalho efetuado pelos residentes”, informou a assessora Eleide Bérgamo.