A noite de hoje será azul em São Paulo. E de amanhã também.
Com megahits como “Blue Monday”, “Bizarre Love Triangle” e “Regret”, a banda inglesa New Order traz um dos shows mais esperados do ano (ou dos últimos 18 anos) ao Via Funchal, na Capital paulista. A razão de tanta procura é mais do que justificada.
A seminal banda de Manchester - surgida do cultuado grupo Joy Division após o suicídio do líder e vocalista Ian Curtis, em 1980 - ajudou a moldar a música eletrônica nos anos 1980 e é influência tanto para a eletrônica quanto para o rock até hoje. Aos 25 anos, o grupo, formado por Bernard Sumner (vocal e guitarra), Peter Hook (baixo), Stephen Morris (bateria) e Phil Cunningham (teclado e guitarra), faz sua segunda visita ao País depois de muito tempo (a primeira foi em 1988).
A atual turnê do New Order divulga sua última coletânea, “Singles”, álbum duplo que cobre toda a carreira da banda. No entanto, a banda nunca deixou de tocar algumas das músicas do Joy Division e o repertório dos últimos shows vem incluindo “Transmission”, “Atmosphere” e a clássica “Love Will Tear Us Apart”.
Além de sucessos como “Regret”, “Ceremony”, “Temptation”, “True Faith”, “The Perfect Kiss”, a banda toca as boas músicas de seus dois últimos discos, “Get Ready” (“Crystal” e “60 Miles Na Hour”) e “Waiting for the Siren’s Call” (a faixa-título, a “Krafty”, “Jetstream” e “Turn”).
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Do fundo ao topo
Após o sucesso do Joy Division e o suicídio de Ian Curtis, em 1980, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris decidiram seguir na música, mudando o nome da banda para New Order - referência à idéia de mudança, mas que causou polêmica por implicar ligações políticas dos músicos. Após algumas apresentações como trio, aproveitando o material composto com Curtis e faixas novas, Gillian Gilbert é integrado à banda, enquanto Sumner se consolidava como vocalista.
O primeiro single do New Order, de 1981, apresentou duas músicas da época do Joy Division, “Ceremony” e “In a Lonely Place”, seguido do primeiro disco, “Movement”. Apenas em “Power, Corruption and Lies”, de 1983, a banda começa a se distanciar do som melancólico do passado e parte para rumos dançantes. “Blue Monday”, desse disco, é o single de maior duração (7 minutos e 30 segundos) a figurar nas paradas britânicas e também um dos mais vendidos da história da música.
Nos anos seguintes, após o lançamento das coletâneas “Substance” (foram duas, do New Order e do Joy Division), o grupo seguiu para um caminho mais pop, com faixas como “True Faith” e “Touched By The Hand Of God”. O disco “Technique”, de 1989, é considerado um retrato da acid house, estourada na época. A banda se separou após o disco seguinte, “Republic”, e os músicos partiram para projetos paralelos (Electronic, Monaco e The Other Two).
Em 2001, a aguardada volta do New Order, com “Get Ready”, teve críticas e comentários frustrados pela mudança musical, com mais guitarras. Em 2005, “Waiting For The Siren’s Call” seguiu a mesma direção mas com apelo mais pop, o que colocou os singles nas paradas mundiais e devolveu o grupo ao mainstream do rock internacional.
No palco, os músicos, atualmente grisalhos e gordinhos, nunca foram de estripulias ou muitas brincadeiras com o público. Serenidade inglesa, talvez. Mas a sucessão de hits da banda desculpa a postura. Para quem se animou de última hora, uma má notícia: os ingressos para os shows de São Paulo estão esgotados. Além de São Paulo, a turnê brasileira do New Order passa por Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Informações: www.via funchal.com.br.