A Secretaria Municipal de Saúde estima que 9,5 mil bauruenses são diabéticos. Numa população de mais de 356 mil habitantes, isso significa que 2,6% dos moradores possuem a doença. Incurável, o diabetes pode causar diversas complicações que levam à morte. Segundo a Associação dos Diabéticos de Bauru (ADB), quem possui diabetes tem quatro vezes mais chance de morrer de problemas cardiovasculares. Hoje, é celebrado o Dia Mundial do Diabetes e, para a ADB, a população bauruense que possui o problema pode ser bem maior.
O diabetes classifica-se basicamente em dois subgrupos: os insulino-dependentes ou do tipo 1 e os não insulino-dependentes ou do tipo 2. O diabetes tipo 1 corresponde em média a 5% a 10% dos casos e caracteriza-se pela perda da capacidade do pâncreas em produzir insulina. Para esse tipo de diabetes, o tratamento insulínico é essencial à vida.
Segundo a Secretaria de Saúde, dos 9,5 mil diabéticos estimados, 4 mil possuem apenas o diabetes e 5,5%, são pacientes que também apresentam hipertensão. De acordo com José Roberto Eleutério de Oliveira, presidente da ADB, os números da prefeitura podem estar subestimados. “Apesar de não possuir nenhum levantamento, acredito que seja bem maior”, observa. Ele lembra que há alguns anos foi divulgado que Bauru não possuía diabéticos do tipo 1, enquanto a associação atendia mais de uma centena desses casos.
Apesar de número divulgado pela prefeitura não corresponder ao estimado por Oliveira, ele aponta que a Secretaria de Saúde vem melhorando a abordagem sobre a doença na cidade. “É uma luz no fim do túnel. Antes, quase não se falava em diabetes no município e, desde o final do ano passado, vemos ações por parte da secretaria que nos anima”, diz.
Entre essas ações, ele destaca a capacitação de 60 profissionais da saúde municipal na ADB e a adesão da secretaria à “Campanha Nacional Gratuita em Diabetes”, realizada em São Paulo pela Associação Nacional de Assistência ao Diabético, apoiada pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde e Sociedade Brasileira de Diabetes.
A campanha será realizada até a sexta-feira, das 8h às 17h, em todas as unidades básicas de saúde e fará testes de glicemia gratuitos. Mas Oliveira ressalta que ainda há muito o que ser feito.
Segundo ele, a distribuição de medicamentos – uma responsabilidade assumida pelo governo do Estado - deveria ser melhor. “Muitos só conseguem o remédio depois de entrar na Justiça”, conta. Outro ponto negativo é a falta de especialistas na rede básica de saúde. “Não existem endocrinologistas suficientes para o atendimento”, observa.
A manicure Firmina Soares da Silva, 58 anos, descobriu no ano passado que possui diabetes. “Eu fiquei fora do cabo”, lembra, explicando que ficou desorientada. Descobrir que tinha uma doença incurável deixou a manicure ansiosa. “Até eu me conscientizar que não tem cura e que eu teria de conviver com isso, fiquei mais nervosa e cheguei a comer o triplo do que estava acostumada”, revela.
Hoje, ela consegue atendimento e remédios gratuitamente. Mas assume que não sabe tudo soabre a doença. “Eu ainda não sou muito informada a respeito, não. Acabei não indo atrás. Mas preciso resolver isso”, diz. Depois de um ano convivendo com os testes regulares de glicemia, ela já aceitou o diabetes. “Até dei um apelido: betinha. Hoje, para saber se está tudo certo, meu amigos perguntam se a betinha está bem”, brinca.
• Serviço
Dentro das atividades do Dia Mundial dos Diabetes, a ADB promove hoje 300 testes gratuitos de glicemia na sede da associação, na avenida Nações Unidas, 28-40.